terça-feira, 20 de março de 2012

Brisa da Música: A Pele Que Há em Mim



A Pele Que Há Em Mim
Márcia

Quando o dia entardeceu
E o teu corpo tocou
Num recanto do meu
Uma dança acordou
E o sol apareceu
De gigante ficou
Num instante apagou
O sereno do céu

E a calma a aguardar lugar em mim
O desejo a contar segundo o fim.
Foi num ar que te deu
E o teu canto mudou
E o teu corpo do meu
Uma trança arrancou
E o sangue arrefeceu
E o meu pé aterrou
Minha voz sussurrou
O meu sonho morreu

Dá-me o mar, o meu rio, minha calçada.
Dá-me o quarto vazio da minha casa
Vou deixar-te no fio da tua fala.
Sobre a pele que há em mim
Tu não sabes nada.

Quando o amor se acabou
E o meu corpo esqueceu
O caminho onde andou
Nos recantos do teu
E o luar se apagou
E a noite emudeceu
O frio fundo do céu
Foi descendo e ficou.

Mas a mágoa não mora mais em mim
Já passou, desgastei
Para lá do fim
É preciso partir
É o preço do amor
Para voltar a viver
Já não sinto o sabor
A suor e pavor
Do teu colo a ferver
Do teu sangue de flor
Já não quero saber.

Dá-me o mar, o meu rio, a minha estrada.
O quarto vazio na madrugada
Vou deixar-te no frio da tua fala.
Na vertigem da voz
Quando enfim se cala.

Esta música é triste. Bonita, mas triste. Mas há palavras que não devem ser pronunciadas. Esta música é bonita. E por cada ciclo que se fecha, há outros que se abrem. Por vezes é tão necessário. E o mundo nunca mais será o mesmo. Haverá tempo para mais uma oportunidade?

"E o Sol apareceu..." (Márcia)

4 comentários:

Buxexinhas disse...

Conheço esta música de algum lado... ;) Há sempre tempo... Basta querer... :)

'..de gigante ficou...'

Beijinhos :)

Gonçalo disse...

Buxexinhas:

Não a conhecia mas fizeste questão de me mostrar. Estás sempre na vanguarda e só me apetecia continuar a cantar contigo...

"num instante apagou..."

Beijoquinhas :)

Raven disse...

Que letra tão simples e bonita.

Me disse...

Engraçado que há pouco tempo entrei num blog que tinha como post exactamente esta música... fiquei com ela no ouvido.


Como dizes, linda embora triste.


Há sempre um tempo para despir as roupas velhas e voltar a andar...




Beijo grande :)