quinta-feira, 5 de abril de 2007

Desafios num Dia de Quaresma


Tinha prometido a mim mesmo ontem à noite que hoje acordaria cedo e que iria logo de manhã confessar-me.

O despertador tocou às 9h30m mas o estado de sonolência era tão agradável que deixei-me estar até cerca das 10h15m, altura em que me levantei apressado, comi qualquer coisa e pus-me a caminho da Igreja Santa Cruz, um dos belos monumentos conimbricences.

Ainda tive de deixar o carro longe da Igreja e, qual maluco com pernas altas, pus-me num tirinho na Praça 8 de Maio, local da Igreja e da Câmara Municipal de Coimbra. Mesmo cheio de pressa fui solicitado por uma senhora que me pareceu de nacionalidade espanhola e que, com o seu “portunhol”, mostrou-me que estava com dificuldades para ligar à sua sobrinha. Na altura faltavam cerca de 5 minutos para o final do tempo de confissões, segundo informações na noite anterior da minha mãe, e fiquei indeciso entre a solidariedade e o dever que tinha com Deus. Optei pela solidariedade, acreditando que este também seria um dever Divino, procurando ligar para os contactos que a senhora tinha na agenda, mas sem sucesso. Chamei um senhor que passava na altura para saber se o seu telemóvel conseguiria ligar para os números pretendidos, sem surtir efeito de novo. Ficámos em momentos de indecisão em que teríamos de continuar o nosso caminho mas não poderíamos deixar uma senhora desgostosa, emocionada, sozinha e com duas grandes malas de viagem na mão no meio da multidão da Baixa de Coimbra.

No entanto, já a senhora agradecia-nos a nossa ajuda, denotando algum desespero, quando o seu telemóvel toca e felizmente era a sobrinha. De um momento para o outro a expressão facial da senhora mudou para melhor, reconhecendo-nos sentidamente com dois beijinhos de gratidão.

De seguida, entrei na Igreja e constatei que as confissões na Quinta-Feira Santa seriam em horários diferentes, estando marcados para a tarde. Naquele momento, percebi que o momento anterior poderia ter sido um momento da “Graça de Deus”, em que fui colocado à prova entre o pecado e a solidariedade, numa altura em que iria confessar os meus pecados.

À tarde, depois de escrever o texto anterior sobre “Urgências/Emergências”, deparei-me, precisamente no mesmo local, com uma roda feita por pessoas envolvendo um senhor deitado no chão. Na altura pensei que poderia ser uma vítima de paragem cardíaca em que as pessoas em redor apenas conseguiriam exercer naturalmente o seu papel de mirones, mantendo-se passivas a observar o sucedido. Comecei a observar movimentos do senhor e, de imediato, explicaram-me que era uma situação habitual de embriaguez. Pouco depois, entrava na Igreja, ocupava o meu lugar na fila, para, finalmente, surgir o momento...da confissão.

Após isto, apenas me apraz dizer: “Nada acontece por acaso, tudo é obra de Deus”.

4 comentários:

Pekena disse...

Muito bonito esse teu gesto!
Concordo plenamente contigo na tua escolha entre a solidariedade e o pecado. Assim fizeste o teu dever enquanto cristão, humano, cidadão exemplar, sei lá ... enfim, tomaste uma óptima atitude e ao que parece, acabaste por ser recompensado com isso!
Deus é assim mesmo, Grande, com um coração enorme e cheio de amor para dar :)

Boa Páscoa para ti e familia.
Bjs**

Anónimo disse...

Se existe o ensinamento em Deus...acho que o conseguite respeitar e seguir.
Neste momento tenho plena consciencia de que como teu amigo, e catolico que sou, respeitarei os ensinamentos biblicos, desejando te assim uma optima pascoana companhia daqueles que mais amas...
Abraço grande
Luis Miguel

Anónimo disse...

Andei aqui ás voltas mas não consigo dizer mais nada a não ser...Boa pascoa para ti

Bjs Gonçalo

manela

maria disse...

Nada acontece por acaso! Tudo é obra de Deus!é verdade! É A LEI! que DEUS estabeleceu! Beijs.