quinta-feira, 20 de abril de 2006

(Des)Espera

Nunca gostei muito de esperar...Talvez seja um trauma de infância por esperar tantas vezes e durante imenso tempo pela minha irmã...Para verem, saía da escola às 16h e ficava muitas vezes, até à hora de jantar, no carro com o meu pai, à espera da minha irmã que estava na escola ou na explicação... Nunca lidei bem com essa situação, chegava mesmo a deseperar...Lembrei-me agora desta história porque encontro-me presente numa sala de espera, sendo que já passa meia-hora e ainda não fui atendido, nem vejo sinais que isso venha a acontecer...e pergunto-me, afinal de contas esperamos para quê? Será que não ocupamos demasiado tempo da nossa vida a esperar? Julgo que sim, por isso começo a pensar em rentabilizar melhor esses tempos porque, passar esse tempo a olhar para o relógio e a ansiarmos pela nossa vez é muito redutor...de certeza que há melhores coisas em que pensar, não acham? Por exemplo, aproveito este momento para, com um papel e uma caneta na mão, dar voz ao meu coração...Mas também podem fazer como o senhor que está ao meu lado que, de olhos fechados, aproveita para descansar...Ou então aproveitem para sonhar, sonhem com a família, com os amigos, com o amor, com a vossa felicidade...E vocês, como aproveitam o vosso tempo de espera? Que sugestões têm para me dar? Bem, o senhor que estava ao meu lado acabou de entrar, aproxima-se a minha vez, passados quase 45 minutos de espera...Português sofre...ou nem por isso, se aproveitar todos os momentos da vida para o seu bem-estar, mesmo os mais enfadonhos...Por sinal, chegou a minha vez de ser atendido...Tenho de ir mas, já agora, boas esperas...

1 comentário:

CéuGomes disse...

A espera é realmente inquietante e faz-nos gastar tempo e energia.
Porém, as circunstâncias de vida fazem-nos, por vezes, encontrar formas de "rentabilizar" os minutos, horas, dias, que passamos à aguardar que algo suceda. Nos últimos anos,aprendi a fazer isso mesmo nas salas de espera de diversos serviços, bem como no decurso de tratamentos, tudo isto ao lado de alguém que precisava que estivesse ali.
As horas de espera, transformaram-se em interessantes momentos de discussão, que resultaram numa aproximação, talvez impossível se ali não estivessemos...
Pode ser irónico... ser a doença a unir as pessoas, ou talvez isto possa ser percebido de outra forma - é possível canalizar a nossa energia para algo produtivo, mesmo quando estamos simplesmente à espera...

Beijos G.