segunda-feira, 8 de março de 2010

Palavra Puxa Palavra (especial Dia da Mulher!): “No teu deserto”

“Ali estavas tu, então, tão nova que parecias irreal, tão feliz que era quase impossível de imaginar. Ali estavas tu, exactamente como te tinha conhecido. E o que era extraordinário é que, olhando-te, dei-me conta de que não tinhas mudado nada, nestes vinte anos: como nunca mais te vi, ficaste assim para sempre, com aquela idade, com aquela felicidade, suspensa, eterna, desde o instante em que te apontei a minha Nikon e tu ficaste exposta, sem defesa, sem segredos, sem dissimulação alguma.
Foi ao terceiro dia da nossa viagem, na estrada entre Oran e Argel, Novembro de 1987.”
Miguel Sousa Tavares, “No teu deserto”

Este foi o primeiro livro que li da famosa obra bibiliográfica de Miguel Sousa Tavares, e gostei! Comecei assim por um livro pequenino, ideal para servir de calço em mesas instáveis mas não só…

Miguel Sousa Tavares é considerado um homem polémico e frontal. Aliás, se chegar a ler a piada das mesas instáveis ainda me irá deixar aqui um mimo ao estilo Tavarista, mas compensá-lo-ei de seguida, vindo do coração.

Ora bem, amado por uns e odiado por outros, Miguel Sousa Tavares é uma referência para mim pela frontalidade e opinião própria que o caracteriza, mesmo que por vezes seja uma opinião diferente da minha. Mas no mínimo é bom comunicador, directo e destemido como eu gosto e como há poucos neste mundo, o que me deixa seduzido e a desejar mais!

Daí a curiosidade em inteirar-me da sua obra escrita, começando por “No teu deserto” em que o jornalista retrata, na primeira pessoa, a viagem profissional (e também pessoal) a Dakar , em 1987, com Cláudia, uma mulher desconhecida até então mas que se tornou uma das referências da sua vida.

Conhecendo o seu estilo directo e impenetrável, Sousa Tavares revela-se aos poucos nas páginas deste livro, mostrando uma face oculta mas reveladora de um homem sensível, imperfeito e com necessidade de afirmação, ao mesmo tempo que enaltece a figura feminina que o acompanha.

Um bom livro para o Dia da Mulher, pelo destaque central que um homem aparentemente intocável e racional atribui à “Mulher”, recordando-me também que a sua mãe será para sempre uma das “Mulheres de Portugal”, Sophia de Mello Breyner.

Feliz Dia da Mulher!

21 comentários:

Sonhadora disse...

Já o li à algum tempo e gostei...
É um livro de leitura fácil que recomendo!

Beijinho ***

P.S. Adoro a banda sonora do teu blog ;)

C Rodrigues disse...

Gosto do Miguel Sousa Tavares como escritor, mas confesso que este livro foi uma grande desilusão para mim, diria que é meio "atabalhoado", mas é verdade que de alguma forma é uma homenagem à mulher.

Anónimo disse...

Fala por ti. Nao queiras ninguem mais demagogico do que MST. Viste a entrevista que fez ao Gonçalo do Amaral em que só ele é que sabia e nem o deixou falar e em vez de perguntas opinava? Pois... bem me parecia...

Qto à citaçao que fazes: ainda acreditas na eterna juventude do corpo? tss tss


bjitos ;)

A.M.

Fatucha disse...

olá! gosto da delicadeza de palavras que o Miguel S. Tavares usa para descrever esta parte.
beijinhos e obrigada.

Gonçalo disse...

C Rodrigues:

Sim. Compreendo que o qualifiques como "meio atabalhoado", porque há momentos em que não percebes imediatamente o autor das palavras, se a Cláudia ou o Miguel Sousa Tavares, apesar do MST falar na primeira pessoa maioritariamente. Mas no fundo destacou-se a mensagem e a novidade... A rever MST em próximas leituras :)

Beijinhos e tem uma semana feliz!

Gonçalo disse...

Sonhadora:

Um livro pequeno, simples e de leitura fácil, sem dúvida. Ideal para uma noite do Dia da Mulher, caso não haja mais nenhuma festa em perspectiva, certo?

:)

Eu também tenho um orgulho especial pela banda sonora do meu blogue, e cada música revela um momento ou uma mensagem. Fica sempre tanto à vista!


;)

Beijinho grande e diverte-te!

Gonçalo disse...

A.M.:

De facto não assisti a essa entrevista, apenas assisti à entrevista que realizou ao Sócrates e parece-me que gosto mais do MST crítico do que do MST jornalista. Daí não me admirar da sua parcialidade na entrevista a Gonçalo Amaral, segundo as tuas palavras.

Mas a minha opinião favorável passa pela frontalidade crítica do MST, gosto de pessoas que assumam as suas opiniões sem medos e que provoquem uma discussão saudável, coisa rara hoje em dia e que eu tanto aprecio...

Quanto à eterna juventude do corpo, digo-te apenas que esta citação é fruto de uma obra de arte, e em cada obra de arte há uma ponta de ficção, no mínimo. Ou também acreditas no planeta Pandora?

:)

Beijinhos grandes para ti ***

Gonçalo disse...

Fatucha:

Sim. O MST é um fresco e fofo!

:)

Beijinhos grandes ***

Dudis disse...

Olá, de facto nunca li o livro, e realmente também o aprecio mais como comentador, mas vamos lhe dar uma oportunidade de mostrar mais!!
Boa semana
Bjos doces

Gonçalo disse...

Dudis:

Devemos dar sempre oportunidade às pessoas para mostrarem os seus talentos, e o MST é um homem de talento, apesar de entrar por algumas vias mais polémicas.

Beijinhos e boa semana também para ti :)

Casemiro dos Plásticos disse...

Esse livro é um homenagem ao Mário Lino não é?!
abraço

p.s. obrigado pela sugestão!

Gonçalo disse...

Casemiro:

Isso mesmo. Livro de homenagem a grandes obras :P

Um abraço e bom fim de semana!

Fragmentos Culturais disse...

...embora o tenha comprado, mal saiu, fui-me entretendo com outras leituras! Não poderei, opinar neste momento. Mas voltarei cá quando o ler.

Dele, li 'Rio das Flores' e gostei sinceramente!
Sem poder/querer 'copiar' a mãe [impossível], nota-se a preocupação de bem escrever, a riqueza vocabular, e neste caso, a cuidadosa investigação da época histórica que tratou.

Há um livrinho de MST, por muitos considerado de literatura juvenil, mas que adorei ler:'Não te deixarei morrer David Crokett'[série de artigos e crónicas escritos anteriormente, aqui compilados] que tem muito a ver com os nossos mitos! Uma escrita fresca... mas que nos faz pensar!

Boa semana!
Um beijo,

... vou ver se tens algum desafio para mim :)

Gonçalo disse...

Fragmentos Culturais:

Obrigado pela referência a mais um livro de MST. Haja tempo para tanto livro :)

Beijinhos e boas leituras ***

Abelhaferrona disse...

Só mesmo tu Gonçalo para te lembrares do dia da Mulher. Eu pessoalmente acho que os dias são de todas as mulheres e homens que compõem este mundo onde habitamos. Por isso, as datas a mim não me dizem muito, mas mesmo assim ainda sou romântica ao ponto de achar lindo que um jovem como tu te lembres de um dia que só pertence ás Mulheres. Pela parte que me toca, como Mulher que sou e me acho, o meu muito obrigado e um beijo pelo reconhecimento deste simples ser que consegue por Homens como tu cá para fora, com mais dores com menos dores, mas com muita alegria, apesar de depois o futuro transformar isso tudo, mas ..... enfim, um hug e many kissesssssssssssssss to you,
Desta tua old friend but very cool,
AnaBorges

Susaninha disse...

GONGAS VAI SER A VERDADEIRA ALTA VOLTAGEMMMMMMM:)

SUUUUUUUUUUUUrrisinhos a todos:)

Susaninha disse...

NO MEU DESERTO???????
UIIIIIII...AHAHAHHAHAH:)
Prometo que vou ler:):):):)
XIsssssssssssssssssssss

Gonçalo disse...

Ana:

Esta sugestão teve como condão a referência ao dia da Mulher, apesar de considerar que dia da Mulher é todos os dias, até porque estes dias foram criados por causas minoritárias, logo já não faz sentido valorizar este dia, mas apenas recordar e celebrar a Mulher como devemos fazer todos os dias.

Tenho dito.

:)

Um beijo e um abraço, aqueles que te darei em breve :)

Gonçalo disse...

Susaninha:

Alta Voltagem serás tu! Cuidado com as faíscas :P

Um beijo grande *;)

Gonçalo disse...

Susaninha:

Depois conta-me como foi :)

anaferro disse...

Li também este, embora não tenha neste momento muita disponibilidade mental para ler este é pequenino e lê-se bem.

Tenho aqui por casa o Equador e o Rio das Flores mas olhar para eles intimida! Um outro que tenho dele, e esse aconselho, um pouco mais visual do que de leitura, é o Sul. Todo o lado dele de viajante faz-me sonhar quando abro aquelas páginas e vejo as fotos.

Desculpa estar a comentar assim textos antigos, indo para trás, como o caranguejo hehe mas está a ser a minha companhia neste fim de dia.