domingo, 23 de agosto de 2009

Agir para Reflectir, Reflectir para Agir: Conceito de Normalidade

“Enquanto giravam, observavam atentamente o rosto dos espectadores e percebiam que, para a maioria das pessoas, a sociedade moderna tornava-se cada vez mais um grande hospital psiquiátrico ou uma sociedade de mendigos que não abandonaram os seus lares, mas se abandonaram a si mesmos. De pessoas que, às vezes, têm mesa farta, mas mendigam o pão do prazer, da tranquilidade e da sabedoria.
Para outros, no entanto, o mundo tornava-se uma escola, ou um circo, ou um terreno de aventuras, ou uma pista de dança, ou uma mescla de tudo isso. Marco Polo e os seus amigos não sabiam onde as pessoas, incluindo eles, se situariam no futuro da humanidade. Não sabiam se estariam no rol dos doentes, dos mendigos emocionais ou dos que vivem suave e espontaneamente.
Só sabiam que essa situação dependeria da coragem de cada um em caminhar nas trajectórias do seu próprio ser, em abrir as janelas da sua inteligência, em repensar a sua história e em fazer livremente as suas escolhas.”
(A Saga de um Pensador, de Augusto Cury, pág.253-254)

Bem sei que já falei várias vezes deste livro, a sugestão está feita há vários meses atrás, mas não me condenem pelo facto de considerar A Saga de um Pensador um dos livros mais intemporais que li até hoje. Por isso, não se surpreendam que escreva várias vezes a seu respeito, que atribua exemplos a partir dos seus contributos pessoais e até profissionais, que reforce a sua sugestão e que um dia mais tarde seja um dos livros preferidos dos meus descendentes…

A mensagem actual retratada neste excerto da obra mostra que a normalidade é um conceito perfeitamente questionável, uma vez que a analogia da normalidade com a semelhança detém limitações quando constatamos que essa normalidade reveste-se de vícios e costumes doentios.

Portanto, quem será mais normal?

O ser humano que age segundo os seus princípios daquilo que é e quer ser, mesmo que sejam contra os preconceitos da sociedade, ou o ser humano que, numa tentativa absurda de imitação ao seu semelhante, cai numa apatia e depressão típicas de uma luta contra a sua existência e vontade pessoal?

Ser normal não é ser igual aos outros, é construir o seu próprio caminho, é ser personagem verdadeira no palco da vida em busca da interpretação adequada ao momento e à mensagem do destino, advindo daí uma natural diversidade humana com uma maior saúde física, mental e espiritual.

Ser normal é ser único! Descubram-se!

18 comentários:

Eli disse...

Infelizmente, ser normal não é ser único, na minha opinião, mas deveria ser.
Se cada um de nós deixasse de se preocupar com o que os outros pensam e expandisse a sua liberdade, teríamos uma cultura cada vez mais rica e não limitada a tradições absurdas.
Sê igual apenas a ti mesmo.
Devemos atentar ao que as pessoas que gostamos nos dizem, mas mesmo assim, a nossa palavra é sempre a mais importante, pois é com a nossa consciência que vivemos e não com as outras.

:)

Maria Brito disse...

Ser normal é ser único!Grande verdade!
Este livro tem tanto a ensinar que todos o deveriam ler.
Eu li e passei a mensagem aos meus filhos que o leram e fizeram dele tal como eu o livro da sua vida.
Deixo aqui uma mensagem que tirei da pag.70 e 71 resumida é claro:

Na sala de anatomia perante um corpo…
Falcão diz: O QUE FIZERAM CONTIGO, POETA! Disse, observando aquele corpo retalhado. Sem ti, a brisa não tem a mesma suavidade. As borboletas não bailam com a mesma graça. Os miseráveis perderam o mapa interior. Temos sede da tua sensibilidade.
Marco Pólo verteu lágrimas. Os olhos de alguns alunos também lacrimejaram. Reflectindo sobre a perda, Falcão emendou:
_ Queríamos que não morresses, mas o jardineiro da Vida sabe quando colher as suas mais belas flores…
_ No mundo há mistérios, no corpo há enigmas, mas no espírito e na mente humana escondem-se os maiores segredos do universo. Vocês estão a penetrar no corpo deste homem mas nunca no seu ser. Dissecarão os seus músculos e nervos, abrirão o seu tórax e crânio, mas não dissecarão a sua belíssima personalidade. Ele foi um poeta da vida, uma estrela no palco da existência.
Então suspirou e revelou-lhes alguns segredos da sua história, que Marco Pólo já conhecia.
_ O homem que vocês estão a estudar foi um médico ilustre. Mas, como na vida há curvas imprevisíveis, foi-lhe reservada uma dramática surpresa. Conduzia o carro com toda a sua família numa viagem de férias. Ao fazer uma ultrapassagem, sofreu um acidente. Perdeu tudo o que mais amava: a mulher e os seus dois filhos.
(saltando um pouco a página)
Falcão revelou que aquele homem tinha sido um brilhante terapeuta das ruas, ajudara miseráveis, sem-abrigo e excluídos.
Aquele ser era nada mais que o ilustre director daquela instituição.
Uma coisa ninguém sabia, nem mesmo Falcão o Poeta da Vida tinha doado seus órgãos para transplantes.
Para estimular a doação de órgãos e mostrar a grandeza desse gesto, ele gostava de usar uma frase:
“Ninguém morre, quando vive alguém. Doem os seus órgãos. Vivam em alguém.
Palavras sábias de um grande Pensador.
Beijinhos amigo Gonçalo.Adorei o blogue

Huma Senhora disse...

Sobre ser normal, não poderia concordar mais contigo.
Boa semana e um beijo :)

Gonçalo disse...

Eli:

Ser normal no sentido de ser saudável a todos os níveis e possuir personalidade própria é ser único!
Agora como tu referes, infelizmente o ser comum, banal e maioritário não é único, cumprindo as regras pré-definidas em detrimento dos seus próprios princípios e atitudes.
É sem dúvida importante etsar atento à posição de outras pessoas, principalmente as que mais admiramos e confiamos, porque também não somos uma ilha isolada, mas a melhor resposta para a nossa conduta está dentro de nós! Se existir correspondência aquilo que somos e queremos ser, se o sucesso fôr uma realidade, então o caminho está a ser bem traçado. Não percam a atenção aos sinais do sucesso!

Um beijinho grande e boa semana:)

Gonçalo disse...

Maria Brito:

O texto citado retrara a necessidade do holismo na relação com as pessoas, neste caso, numa relação entre profissionais de saúde e os doentes.
Cada ser humano é único e tem as suas especificidades, devendo ser tratado também de uma forma especial, independentemente de saber-se ou não da sua história de vida, independentemente de ter sido uma pessoa ilustre ou mendiga, todos somos especiais e merecemos ser cuidados como tal.
A minha filosofia é esta, por vezes nem sempre é possível aplicá-la em prática por diversos factores, mas o caminho está traçado e quero continuar a trilhá-lo com melhorias crescentes.

Beijinhos grandes e uma semana feliz :)

Gonçalo disse...

Huma Senhora:

Obrigado pela participação e uma semana cheia de luz para ti!

Beijinhos***

Mokas disse...

Não creio que ser normal seja ser único.
Ser normal é simplesmente encaixar num padrão...
Ser único é descobrir-se.
Descobrir-se é ser diferente.
Ser diferente não é ser normal.
Cada ser é, por definição, único.
Mas para se ser realmente único, temos que ser nós próprios.
E para tal, temos que mergulhar em nós, e descobrir-nos.

Maria Brito disse...

Não podia estar mais de acordo contigo!!!Todos somos especiais e merecemos ser cuidados como tal.
Pena que isso não aconteça sempre.
Tens um prémio á tua espera no meu recente cantinho. :)
Uma excelente semana com muita luz para ti.
Beijos da amiga Maria

Gonçalo disse...

Mokas:

Se reparares bem o nosso discurso são dois carros que caminham em caminhos paralelos na mesma direcção :)

Eu concordo contigo, porque para mim a palavra "normal" como ser único, foi atribuída no sentido de que a normalidade é sinónimo de equilíbrio, saúde e caminho mais correcto na existência humana. Isso é que é normal, ou deveria ser normal...

Valeu pelo jogo de palavras, gostei :)

Um abraço!

Gonçalo disse...

Maria:

Amiga, já lá vou ao teu blogue cuscar as surpresas que tens para mim :)

Beijinhos***

Rafeiro Perfumado disse...

Neste momento parece-me que normal é ser anormal...

Abraço!

Gonçalo disse...

Rafeiro Perfumado:

Nem mais, infelizmente, normal e banal hoje em dia é ser anormal, porque o normal equilibrado é ser único como há poucos!

Abraços!

Fragmentos Culturais disse...

Augusto Cury, conheço-o e li-o num dos primeiros livros editados em Portugal! Este, não li, mas folhei-o e deambulei por alguns excertos, entre a pausa de um café, naquele meu peregrinar quase diário por esta ou aquela livraria que oferecem ao 'apreciador de livros' um canto agradável de leitura/café!

Não posso acrescentar muito ao que escreveste! É isso! Difícil é o caminho para alguns...

Ser normal é seguir a sua essência!
Viver esta passagem a partir da sua interioridade vivenciada em cada dia, em cada gesto, em cada olhar, em cada aspirar...
E por isso, tenho que dar também razão a 'Rafeiro'!

Um beijo,
... lamento só hoje vir aqui agradecer teu amistoso 'prémio' que vou agora 'descobrir'! Muito sensibilizada!
Hum! Coldplay! Adoro ;)
Temos alguns gostos musicais comuns...

Daniel Silva (Lobinho) disse...

Conheço muito do Augusto Cury, um importante psicoterapeuta que alia os seus conhecimentos a uma visão humanista e esperitual. Os últiomos volumes que li dele foram sobre Jesus Cristo "Análise da Inteligência de Cristo", "O Mestre da Sensibilidade" e outros. Mas sim, ele dá outra perspectiva dos acontecimentos como a férrea vontade quando se quer, citando marco Polo ou Abraham Lincoln ou...

aquele abraço, Gonçalo

Gonçalo disse...

Fragmentos Culturais:

Pelos vistos és uma frequentadora assídua da F-N-A-C. Passo a publicidade, mas é uma das minhas lojas favoritas!

Não te preocupes com o tempo de resposta, importante é existir resposta e os tais gostos comuns que nos identificam. Coldplay dominam, sim!


:)

Gonçalo disse...

Daniel Silva:

Augusto Cury! Para mim um génio, daquelas pessoas que absorvem a nossa atenção e que aspiramos um dia conhecer pessoalmente...Talvez um dia :)

Um abraço!

Cristina disse...

Grande verdade!
Por este motivo é que me despertam sempre uma imensa curiosidade quando oiço a frase: "aquele tipo é doido!".
No nosso mundo, diferença é sinonimo de loucura, a qual por sua vez é sinonima de algo mau.
Acredito que a loucura que a sociedade aponta é apenas originalidade e verdade á flor da pele.

Gonçalo disse...

Cristina:

Agora disseste tudo. Loucura é ser diferente, mas se calhar é o estado mais saudável do ser humano!

:)