segunda-feira, 12 de maio de 2008

Dia Internacional do Enfermeiro

Comemora-se hoje o Dia Internacional do Enfermeiro, dia de homenagem e de reflexão. Se a reflexão é feita diariamente, e bastante haveria para reflectir sobre os dilemas actuais de Enfermagem, aproveito esta oportunidade para a homenagem suspeita mas merecida aos enfermeiros, as pessoas que tornam esta profissão, a profissão mais bonita do mundo!
E a homenagem que pretendo fazer passa pela resposta a uma simples questão:

"O que é ser enfermeiro?"

Enfermagem: profissão de referência!

Ora bem , começo por explicar o facto de considerar a enfermagem como a profissão mais bonita do mundo. Segundo a minha concepção de vida, a vida existe com uma missão única e transversal à natureza, revelada na mensagem de Deus “Amem-se uns aos outros como eu vos amei”. Amor! É esta a verdadeira missão da existência humana, e para esta missão existem diferentes criações, com diferentes papéis, incluindo os papéis profissionais. Se cada papel profissional integra um contributo valioso para a existência humana e para o amor ao próximo, o papel do enfermeiro tem, na minha opinião, um lugar de destaque entre esses papéis, dado o seu imenso carácter relacional e de proximidade com as pessoas, sendo a relação o meio mais rico para o crescimento dos Homens e do amor. Arrisco a dizer que enfermagem é a referência no caminho da existência!

Breve Concepção Pessoal de Enfermagem

De facto, a falsa imagem da enfermeira extremamente jeitosa que dá injecções é um estereótipo pobre demais para a riqueza que a palavra “cuidar” proporciona. E cuidar é vestir a pele de anjo, movendo o branco pelos corredores cinzentos e depressivos! Cuidar é dar luz, e luz é sinónimo de energia, entrega, dedicação, partilha! Cuidar é ser cúmplice no momento da fragilidade humana, é o toque, é o sorriso, é a mão estendida,...!
Na minha concepção de enfermagem, os doentes são a minha segunda família, e como familiares que são quero o melhor para eles, tal e qual como gostaria que fizessem para os meus! E, neste caso, o conceito de família não serve apenas como meio facilitador da parceria dos cuidados, é para mim um meio naturalmente instalado, típico de um profissional que convive 365 dias por ano e 24 horas por dia com a pessoa/doente, no limiar entre a recuperação e o sofrimento, com noites mal dormidas e fins de semana perdidos.
Além disso, este conceito alarga-se também à família do doente, não só pelo desfile de elegância protagonizado nos corredores das unidades de saúde (tanto netas como filhas, cada uma melhor que a outra!), mas fundamental e realisticamente pela necessidade que todos os intervenientes do cuidar sentem, numa perspectiva holística (a pessoa como um todo) do cuidar. Isto porque o sucesso dos cuidados prende-se com o sucesso da tríade enfermeiro-doente-família, dado que em cada interveniente existem necessidades insatisfeitas mas colmatadas em parceria.
No fundo, como em todas as profissões, há bons e maus profissionais, para mim os bons profissionais de enfermagem são aqueles que conseguem aliar a responsabilidade à boa disposição, conjugando numa só pessoa a ciência, a arte e o amor.

Enfermagem na primeira pessoa

Apesar do carácter angelical do enfermeiro, este é um ser humano e, como tal, também apresenta oscilações de humor, tendo também os seus “bad days”, em que qualquer coisa seria melhor do que trabalhar. Confesso que já tive vários dias assim, muito por culpa das insónias nocturnas, mas felizmente o afecto dos doentes e a cumplicidade da fantástica equipa de auxiliares encobriram esse cansaço e revelaram a força que há em mim! Como é bom entrar na sala de convívio dos doentes e perceber o seu sorriso e brilho no olhar, ouvir expressões como “Olha, aí vem o meu querido...”, “Já há muito tempo que não aparecia...” ou “ Você faz falta aqui!”, e sair do serviço exausto mas com o dever cumprido, porque o amor acontece!
Depois, parecendo que não, enfermagem é das profissões mais predispostas ao humor, dada a proximidade com as pessoas, e cada pessoa possuir o seu estilo próprio. Curioso quando em certo dia entro na sala de estar dos doentes e uma doente chama-me e, quando me aproximo, pede-me para a levar...ao céu! Desde esse dia começou a tratar-me por “amor” e o seu estado de saúde teve uma evolução favorável (juro que não a levei ao céu!). Ou então a doente que desde sempre me confundiu com o neto, e cada vez que entro no quarto sorri e, convictamente, saúda-me “ Olá Fernando...”, perguntando-me também pelo António, ao qual respondo-lhe que está na apanha do milho...Podia também contar a história da doente que lavava as cuequinhas com a água do fundo da sanita e estendia-as no bidet, no entanto a partir daqui as histórias seriam cada vez mais surreais e ficarão para outra altura ou noutro contexto...Isto tudo porque há humor nos cuidados de enfermagem, e só se pode entender a Enfermagem desta maneira, senão entraríamos tristes e sairíamos deprimidos, não sabendo a certa altura quem seriam os verdadeiros doentes.

Em suma, muito mais haveria a dizer ao tentar transmitir pessoalmente a essência da enfermagem, mas importante é mostrar que o enfermeiro deixou de ser o “mecânico das pessoas”, para transformar-se no “anjo das pessoas”. Lanço agora o repto aos participantes deste blogue para também responderem à pergunta inicial, sejam enfermeiros ou não, porque afinal de contas todos já passaram por uma unidade de saúde.

Fica sempre tanto por dizer...

24 comentários:

Enfim... disse...

parabens aos enfermeiros...aos mais velhos porque os mais novos são todos uns manientos :D

bjokas

Gonçalo disse...

Enfim:

Obrigado pela parte que me toca, porque apesar de novo, a minha mania só passa pela qualidade da Enfermagem!:)

Beijinhos**

Eli disse...

Felizmente nem me apercebo da existência deles na minha vida enquanto doente!... No entanto, estou consciente do Seu/Teu/Vosso trabalho (escolhe o determinante possessivo que preferires).

Força!

Beijo-te

:)

vera teixeira disse...

parabens gonsalo por descrever tão bem a sua profissão que tambem é a minha,poderia o contar inumeras historia de enfermagem mas optei por esta. um dia ao dar a uma criança injeção chorou muito passei a mão na carinha da pequena para limpar a lagrima ela me disse só paro de chorar se mi der um rebuçados. isso é ser enfemeiro em africa.um abraço, vera amiga do luis miguel

Rp disse...

Eu cá gosto é das enfermeiras =) Então as do Hostpital da Luz... Quase que nos esquecemos porque estamos lá internados!! ahaha
abraços

Gonçalo disse...

Eli:

Custa-me a acreditar que enquanto doente os enfermeiros passem-te despercebidos, porque o enfermeiro é o cerne de qualquer serviço de saúde!
Mas agradeço o teu respeito pelos enfermeiros e, sendo assim, escolho o determinante possessivo "nós".

Beijoca fofa para ti:)

Gonçalo disse...

Vera:

Fico muito lisonjeado por recordares o ser humano superior chamado Luís Miguel, um amigo eterno que um dia também me falou de ti. Lembro-me dele falar de ti com um carinho que me deixou curioso na altura, cheguei mesmo a tentar perceber-te melhor porque tínhamos em comum a amizade com o Luís e a enfermagem e deixa-me que te diga que o Luís nutria um grande carinho por ti. Eu senti-o!

Quanto ao teu comentário, é a revelação da transculturalidade na enfermagem, porque enfermagem possui os seus pricípios básicos aqui e em qualquer parte do mundo, mas depois deverá existir a adaptação à cultura e socieade vigentes. E neste caso, a cultura vigente é o resultado de atentados ao ser humano e à busca de um mísero rebuçado que seja!

Um beijinho grande para ti e enaltece sempre o nome da enfermagem, seja em que país for! Volta sempre:)

Gonçalo disse...

RP:

No texto falei no falso esterótipo da enfermeira boazona mas burra, no entanto acho que a única falsidade está na palavra "burra" :P

A brincar dizem-se muitas verdades, e percebo que há enfermeiras muito atraentes, mas acreditem que entre tanta sensualidade há muita inteligência em enfermagem! E nesse caso, compreendo as tuas palavras e, vá lá, ao menos soube-te bem estares doente no Hospital da Luz...;)

Um abraço e fica bem!

Gonçalo disse...

estereótipo*

Eli disse...

Gonçalo, tive a sorte de nunca ter sido internada.

No entanto, lembrei-me de situações pontuais que me fizeram lembrar profissionais e nunca encontrei ninguém como tu... no entanto, "eles andem aí".

Beijo

Gonçalo disse...

Eli:

:)

Feliz de quem nunca teve de ser internada e encontra pessoas como eu:)

Beijo grande!

Silvia F. disse...

Subscrevo as tuas palavras embora devo dizer que, como em tudo existem bons e maus profissionais. Ser enfermeiro(a) requer muito da pessoa, é necessário dedicação, empenho e principalmente muita humanidade e espírito de sacrifício em prol dos que precisam de cuidados.
Deparo-me muitas vezes com situações deploráveis de enfermeiros que tratam, por exemplo, os idosos como lixo nos centros de saúde. Nos hospitais públicos idem.
Apenas no privado onde se paga e não se bufa temos direito a um tratamento VIP. É injusto!
Costumo reclamar do serviço, mesmo não sendo eu implicada porque mete-me nojo quem trata mal pessoas que pouco têm como se defender (eu sei, qualquer dia levo porrada mas aí tu tratas-me, ok?).

É uma profissão bonita mas muitas vezes a imagem fica denegrida por enfermeiro(a)s rafeiros, sem nenhuma vocação para tal. Acredita que são muitos! Pena não terem essa tua dedicação que mostras no post. Sorte têm os que são acompanhados por ti! Também quero!!!

Beijos e obrigada por seres "assim".

Gonçalo disse...

Sílvia:

Por mais triste que seja, tenho de concordar contigo, mas por isso mesmo é que deixei os problemas da enfermagem de lado para me focar exclusivamente na partilha da essência da verdadeira enfermagem, a enfermagem praticada com humanismo e amor ao próximo. Sou ainda muito novo para entender a enfermagem conforme a profissão merece, mas faço tentativas e busco esse caminho já neste momento!

Mas tens razão quando falas em enfermeiros com falta de vocação, alunos que ingressam cada vez mais facilmente numa área tão específica sem qualquer tipo de critério de cariz pessoal, com médias cada vez mais medianas, e depois descarregam a sua frustração em quem menos merece. E, claro, nesse sentido os privados abrandam mais esses instintos de frustração, infelizmente, porque há pessoas tanto no público como no privado.

Estou contigo na defesa dos direitos humanos e espero que nunca precisas das minhas mãos para curar as feridas :)

Um beijinho grande e obrigado pela partilha e cumplicidade:)

Casemiro dos Plásticos disse...

Parabéns a esta classe nobre mas só a alguns, como tudo na vida...
abraço e boa semana.

vera teixeira disse...

gonçalo, boa tarde,a enfernagem sem duvida é a base a medicina em qualquer parte do mundo e tem de ser adaptado ao pais em que se exerce.tive em portugal em estagio ainda tentei ai trabalhar mas logo perçebi que fazia mais falta ao meu pais.o luis há de ser sempre o nosso luis ele tambem falava muito do gonçalo e da vossa amizade.falar dele é renovar o ar ,tenho tanta saudades do meu querido amigo, vir a net e não poder falar com ele custa muito .um grande abraço

Vera Carvalho disse...

Estamos todos de parabéns!

André Augusto disse...

Primeiro, parabéns pelo texto!

Segundo: O teu texto já está no blog. Fiz algumas pequenas modificações, nada de mais. Se vc tiver, alguma sugestão sobre o post, fala cmg.
Ficou mto bom!

Já relacionei teu blog aos favoritos do nosso, ok?

Gde abraço!
André!

Gonçalo disse...

Casemiro:

Obrigado pelas tuas palavras porque revi-me na nobreza da classe:)

Um abraço e bom fim-de-semana!

Gonçalo disse...

Vera:

É bom ler de novo as tuas palavras e reviver de novo o Luís, percebendo a amizade que nos unia através da expressão de outras pessoas como tu:)
O Luís estará sempre connosco e o maior legado que ele nos deixou foi a lição de vida de grande luta para ser feliz e fazer felizes os outros. E, acompanhando este último ano, julgo que ele conseguiu ser feliz e fazer de mim também uma pessoa melhor e feliz...

Beijinhos grandes para ti e volta sempre!

Gonçalo disse...

Vera:

Os meus parabéns também para ti e para o Sérgio:)

Bom fim de semana!

Gonçalo disse...

André Augusto:

Obrigado mais uma vez por esta oportunidade que me proporcionaste, já vi a apresentação e gostei muito!:)
Também te vou linkar nos meus favoritos!

Um abraço e saudações desportivas:)

Anónimo disse...

Bom Dia!!
Estou aqui a dizer-lhe que estou encantada com suas palavras,estive a pensar muito durante a noite sobre minha existencia na terra,isso pq tenho passado por muitas mudanças,amadurecimentos,desde que tomei a decisão de ñ querer ser mais objeto das mais humilhantes ações de um ser.Achei,li,senti em suas palavras que vc é uma pessoa altamente sensível,sabe o sentido,valor,grandeza do "amor".

Anónimo disse...

Bom... a técnica,a dosagem das coisas. Não pisquei até terminar! Escreve mais! Beijos

Gonçalo disse...

O amor será sempre uma bandeira de apresentação quando se fala de enfermagem, e ser enfermeiro, tal como o ser humano, é saber integrar o verdadeiro sentido da palavra "Amor"...

Ainda sou um bebé no "Amor" mas estou atento aos sinais da existência e acredito que serei cada vez mais "Amor" e partilhá-lo com as pessoas que mais gosto como tu:)

Beijinhos grandes e fica bem, com amor:)