quinta-feira, 29 de novembro de 2012

Acrescenta-me um Ponto: Suspense - resultado final


Está concluída mais uma rubrica "Acrescenta-me um Ponto", desta vez relativa ao tema Suspense. Um conto com uma diversidade cultural e criativa própria de vários co-autores e ao mesmo tempo com um fio condutor tão impressionante como desafiante. A história tem um fio sempre imprevisível e recheado da personalidade de cada co-autor, sem perder o sentido da trama. Há detalhes que podiam ser melhor explicados, mas a intenção não é apenas essa. O importante está conseguido, o destaque do imenso valor de uma criação em conjunto de uma história única. Juntos somos muito mais fortes. Continuemos a criar em conjunto, em qualquer momento! Obrigada pela vossa participação e boa leitura.


Lista de participantes:

1 -   Gonçalo Cardoso (O Sabor da Palavra) 
2 -   Buxexinhas (Pedacinhos de Mim)
3 -    Karochinha (O Meu Eu)
4 -    A Minha Essência (Roupa Prática)
5 -   Olívia Palito (Olívia no País das Maravilhas)
6 -   L' Enfant Terrible (L' Enfant Terrible Lx)
7 -   Utena (Os Meus Idealismos)
8 -   Alexandra Martinho (Ouso escrever)
9 -   AC (Nada de Coisa Nenhuma)
10-  Poppy (Apontamentos de Luz)
11-  Briseis (O Meu Pedestal)
12-  Teté (Quiproquó)
13-  Vítor (O Predatado) 
14-  Rogério Pereira (Conversa Avinagrada)
15-  Lídia Borges (Searas de Versos) 
16-  Maria João Martins (Pequenos Detalhes)
17-  Filoxera (Escrito a Quente)
18-  Alex (O Meu Sofá Amarelo)
19-  Marta Vinhais (Com Amor)
20-  Luz (Luzes e Luares)


E tudo começa, assim...


" Já tinha dobrado as duas da manhã. Estava a sair da emissão de rádio, incomodado com um ouvinte que alegava a minha falta de isenção jornalística. Segundo ele, apenas dava voz aos ouvintes do sexo feminino e os temas escolhidos revelavam uma tremenda homofobia. Estapafúrdio, dizia para mim! Mas, para o exterior resolvi o problema com a introdução de uma música de intervenção social. E assim, fechei o programa. Peguei na mala, desci as escadas em direcção ao parque subterrâneo e ao chegar junto do carro encontrei um segredo envenenado..."

" No seu vestido vermelho delineado na pele, ela olhava-me intensamente, recostada no capô do meu carro, como um lince que espera a sua presa. Por momentos, o meu coração parou de bater. "Voltou"... pensei angustiadamente. Fantasmas do passado e segredos escondidos no recanto mais negro do meu ser...renascidos da minha cinza. Em passos lentos, dirigi-me a ela. As palavras silenciosas do meu olhar, disseram-me para onde ela me levaria. Entrámos no carro seguindo para o local temido..."

"por ambos.
Aquela falésia onde, alguns anos antes, a tragédia se abatera sobre as suas vidas alterou os seus futuros para sempre. E todos os anos, no mesmo dia, encontravam-se antes do amanhecer, naquele pedaço de rocha que se erguia sobre o mar, numa esperança vã de expiarem os seus pecados mais profundos. Chegados ao local, saíram do carro e mais uma vez, as suas mãos encontraram-se, os seus corpos aproximaram-se e ela disse-lhe..." 

"Com a voz trémula, sussurrada, gélida, com a postura hirta e conciente do momento, Amanda  começa a debitar desenfreadamente como tudo aconteceu, naquela fatídica noite.
- "Não tive culpa! Não tive! Acredita em mim, por favor! Foi um incidente. Foi ele que escorregou da falésia, ele"! - Sedutora, mas ao mesmo tempo frágil, ela sabia exatamente como emaranhar um homem na sua teia. Sabia exatamente a palavra certa a ser usada, o gesto proveniente, o olhar mais assertivo para a ocasião. Manhosa, lança-o num envolvente abraço onde o choro compulsivo é senhor do momento. Entre soluços, mas com a voz doce, repete, incessantemente, "não fui eu"! Não fui eu"! Com o rosto apoiado no peito de Edmundo, via-se claramente o sorriso dissimulado que fazia. Ele, estava completamente rendido à fragilidade dela, mas, ao contrário do que ela pensava, que o tinha nas mãos, Edmundo, também tinha algo a dizer..."

"acerca daquela fatídica noite. Edmundo fixou o olhar na falésia e ficou em silêncio por alguns segundos, enquanto os braços de Amanda o envolviam. De repente, ficou tudo absolutamente claro na cabeça de Edmundo, as peças do Puzzle mental começavam a encaixar-se na perfeição. Lembrou-se da conversa off record que tivera com o inspector da polícia acerca do relatório da autópsia de Fred. Segundo o mesmo relatório, Fred havia ingerido uma dose substancial de whisky, confirmando assim o álibi de Amanda, de que Fred se desequilibrara e caíra daquela falésia. Porém, fez-se luz e um pormenor fulcral escapara a ambos:ao inspector da polícia e a Amanda, mas não a Edmundo..."

"Isto porque Fred não bebia whisky, sofria de doença celíaca, de modo que tudo o que contivesse glúten, o que incluía bebidas feitas de malte, não lhe passavam pela garganta. Por outro lado, a revelação que Fred fizera a Edmundo um dia antes da tragédia era de todo desconcertante, tanto mais que dizia respeito aos três, sendo que o conteúdo da mesma tivera desde então um profundo impacto em Edmundo, ao ponto de o mesmo perder parte da sua imparcialidade jornalística. Ainda assim, envolto no choro soluçado de Amanda, Edmundo era incapaz de proferir uma palavra, de partilhar com ela o que pensava, porque havia mais um elemento no jogo, uma dúvida perene que o levava a sentir-se tal como o mar revolto e sem definição, que vislumbrava no horizonte..."

"Não querendo, mas ao mesmo tempo sem conseguir parar a maré das lembranças, chegou-lhe à memória aquela noite, que hoje lhe dava o conhecimento do facto de Fred não beber whisky. Fred confessou-lhe num ousado momento de coragem que se sentia atraído por Edmundo e que isso o deixava sem saber como agir, pois nunca tinha sentido isso por um homem nenhum, já que sempre fora um mulherengo, por natureza! A convivência dos dois, muito por culpa de Amanda, o lamber das feridas causadas por esta mulher de escrúpulos nulos, tinha feito com que os sentimentos florescessem em dois homens, que mesmo nada indicando que assim fosse os levou a sentir o que para ambos deveria ser tabu. Edmundo voltou à realidade com um soluço mais audível de Amanda e quando a olhava no profundo dos seus olhos verdes deu-se conta..." 

"Do quanto aquela mulher já havia  sofrido. Fred, horas antes de falecer, havia contado a Edmundo que Amanda aos 20 anos se havia submetido a uma cirurgia de retribuição sexual. Sim, Amanda fora um menino em outros tempos, mas hoje era aquilo a que Fred e Edmundo chamavam de tentação. Edmundo olhava-a e um misto de sentimentos lhe assolavam a mente, perdera alguém que lhe era muito próximo, um amigo, mas também, um silencioso admirador. E ali, diante dos seus olhos estava a  mulher indefesa e esbelta, que soluçava e por quem ele era estupidamente apaixonado, mas que carregava tão pesado segredo. Segredo esse, que toda a sociedade condenava e condena. Edmundo, perturbado, necessitava voltar, ir ao encontro do seu pedaço de chão para meditar e montar todo aquele puzzle confuso. Suplicou-lhe: - "Amanda, necessito ir, vamos?". Amanda, para ele olhou, com o olhar fugaz e disse..."

"És um homem cruel, senão me aceitas como sou. E se assim for, sem dúvida que não me mereces. Sou especial, sou única, e estou disponível para te amar, com tudo o que tenho para te oferecer, mas jamais partilharia a minha vida ou o meu corpo com quem olhasse para para mim com desprezo ou nojo. Sendo assim, cuida-te, olha para ti, observa-te com atenção e vais reparar em todos os teus defeitos... por agora, vou apenas embrulhar-me no teu casaco, sentir o teu cheiro e o teu calor, que são presença nele e esperar que tu abras os olhos e possas ver para além do físico, do estereotipo e do preconceito, a mulher que hoje sou...estou aqui, estarei sempre aqui para ti...de braços abertos...anda, decide-te, não tenho o tempo todo..." 

"Mas na cabeça de Edmundo, cada vez mais as dúvidas e as desconfianças se instalavam. Havia demasiadas incongruências em torno daquela noite e um relatório conivente com o que Amanda lhe dizia, mas contrário ao que conhecia de Fred, que jamais poderia ter bebido whisky naquela noite. Não estavam em causa os desejos que nutria por aquela mulher, não se colocava em questão a mudança de sexo, o que lhe assolapava as ideias era tão somente o que teria sido capaz de fazer aquela mulher de escrúpulos nulos, de vermelho vestida, se soubesse o que acontecera entre eles. Não foi capaz de lhe dizer nada mais. Levou-a a casa e naquele momento só uma coisa lhe ocorria, tinha de estar com o inspector responsável pela investigação..."

"O encontro perturbador , aliado ao adiantado da hora, tinha um efeito nefasto sobre a sua lucidez. Conduzia como um autónomo, a cabeça longe, muito longe da estrada, por onde os olhos passavam. Era de noite, ainda. Para não enlouquecer durante as longas horas, que antecediam a manhã e a sua oportunidade de falar com o inspector, foi para casa, tomou um banho tão quente quanto conseguiu tolerar e, ainda com o cabelo a pingar água e a pele a fumegar vapor, sentou-se a escrever a sua versão dos factos, a sua memória dos acontecimentos, caso algo lhe acontecesse... Escreveu tudo longamente, e concluiu com a revelação do facto mais bem guardado..."

"Fred confessara-lhe o ciúme que sentia de Amanda! Sem nunca lhe ter revelado, adivinhara a paixão e o desejo que transpareciam nos olhos, quando ela aparecia em cena, naquele misto de sedução e de fragilidade que tanto o cativavam. Parou de escrever. E se...? Não, não era possível, que o amigo chegasse tão longe... Ele andava pertrurbado - os credores avolumavam-se à sua porta! - mas suicidar-se?!? Deixando no ar a suspeita de Amanda ser a culpada pela sua morte?!? Mas porquê aquelas revelações súbitas e inesperadas, poucas horas antes daquela fatídica noite? Era um plano macabro de mais para ser verdade..."

"Levantou-se, abriu as janelas de par em par e, debruçado sobre o parapeito, olhou as estrelas. Voltou para dentro, apenas o tempo suficiente para apagar a luz. Não houve luar e assim o céu ficava mais bonito. Acendeu um cigarro, deu-lhe duas baforadas e voltou a contemplar as estrelas. Com Amanda e Fred na cabeça, ia falando consigo próprio. Aos poucos foi-se descontraindo no fumo do cigarro, na tentativa de ainda se lembrar do nome das constelações. Aquela é a Ursa Maior, aquela é a Cassiopeia, aquela é o Cão Maior. Raios! Porque não se lembrou antes disso? Fez um telefonema para Irina. Ela costumava ficar com o cão de Fred quando este se ausentava..."

"A visita a casa de Irina foi demorada e difícil para ambos. A conversa parecia não ter nexo, com Irina a tentar explicar o inexplicável de aquela carta de Fred só passados três anos aparecer. Irina estendera-lhe com as mãos nervosas e foi com as mãos nervosas que Edmundo a recebera. Despediram-se com o luto nos olhos e sem uma palavra. Na rua e, depois, pelo caminho leu e releu o texto do sobrescrito cuja letra lhe era familiar. Em casa, levou um tempo tremendo até vencer o medo e abrir a carta que lhe era dirigida: Meu querido amigo, quando leres estas linhas já terei partido. Não vos julgo nem culpo. E a haver culpados, culpo a indignidade que me foi dada por uma vida que já não merece ser vivida. Não há uma só situação a explicar este meu acto, que muitos considerarão tresloucado. Foi tudo. Foi a minha incapacidade de vos amar. Foi a minha confusa sexualidade. Foram as dívidas acumuladas. Foi o desemprego e a incapacidade de encontrar alternativas. Foi a minha marginalização no partido. Foi tudo isso e ainda..."

"Fez uma pausa na leitura para macerar uma lágrima teimosa e acalmar o lamento que se contorcia no seu coração, agora que a tese do suicídio lhe parecia ganhar consistência. Pobre Fred! - pensava - Como fora possível ter chegado a tal estado de desespero sem que ele, seu amigo íntimo, se tivesse apercebido? O mundo está inquinado de indiferença. O mundo, o mundo...Mas que mundo? As pessoas são o mundo, o mundo é as pessoas e, cada uma delas, um fragmentado fraco de um todo forte, mas incompreensivelmente ignorado.
Edmundo deixou cair os olhos húmidos sobre a folha de papel que lhe ficara esquecida nas mãos e continuou a ler:
Foi tudo isso e ainda alguma coisa inominável e paralisante. Algo que não me permite lutar contra o medo. O medo da solidão, o medo de ver, de vislumbrar mais uma manhã sem esperança nem projectos...
O longo e estridente "trimmm" da campainha que subitamente encheu a casa, fê-lo estremecer. Pousou a carta na estante, entre os livros e dirigiu-se para a porta sem disfarçar um gesto de desagrado..."

"Ao abrir a porta não conseguiu disfarçar o espanto. "O Senhor aqui, Inspector Madureira?" - O inspector reparou no semblante cansado e transtornado daquele homem que lhe franqueava a entrada. "Bom dia, Edmundo! Não se assuste, estou aqui no seguimento da investigação da morte de Fred Campos, ou melhor, do homicídio do seu amigo. Temos razões para acreditar que o senhor, neste momento, corre risco de vida." - Edmundo sentiu-se perdido no meio de tantas dúvidas e revelações. Tudo lhe parecia cada vez mais confuso e surreal. "Não, não, inspector! Fred suicidou-se. Tenho aqui a carta que o comprova" - e dito isto, foi buscar a carta que tinha pousado na estante e que não acabara de ler. Madureira agarrou nela com curiosidade e leu-a demoradamente. "Onde estava esta carta?" - perguntou. Edmundo explicou-lhe como Irina a tinha encontrado, só agora, deixada por Fred dentro de um livro que ela lhe havia emprestado. "Está a ver, Fred queria suicidar-se..." "Pois queria..." anuiu o inspector."... mas temo que isso não tenha chegado a acontecer, meu amigo. Há detalhes da investigação que você desconhece e esta carta pode explicar muita coisa. Venha comigo até à Judiciária, vou precisar de si!"...

"A viagem decorreu entre pensamentos elípticos. Por muito que a memória desse voltas e mais voltas, estas iam sempre ter a duas questões: o ciúme de Fred em relação a Edmundo e Amanda e a carta de suicídio. Ou não?... Se há um momento na vida em que nos censuramos a nós mesmos, o de Edmundo foi esse preciso momento em que se deu conta que, por muito afecto que nutrisse por Fred, por muita intimidade que tenham partilhado, Edmundo não conseguia lembrar-se da caligrafia de Fred ou, sequer, se alguma vez a conhecera. Como era possível prezar alguém da forma que ele prezara Fred, que fazia com que um pouco de si tivesse morrido com ele, e não saber, sequer, se alguma vez conhecera a sua letra? Rapidamente teve de voltar ao presente, pois o velho Peugeot 306 acabava o seu percurso, junto às instalações da Judiciária..."

"E nas instalações da Judiciária, Edmundo foi confrontado com uma cópia da carta de "suicídio" de Fred. Aliás, com várias cópias. Era preciso descortinar qual era a original, mas isso era fácil para os analistas da Judiciária. Rapidamente chegaram à conclusão que a carta tinha sido escrita por... Edmundo! Mas, se a carta estava na posse de Edmundo, como teria sido possível multiplicar-se de tal maneira que apareceu nas mãos de várias pessoas ligadas ao processo? Quem era afinal o assassino? Teria sido mesmo suicídio e Fred ter-se-ia preocupado em "despistar" o seu próprio suicídio enviando cartas iguais para várias pessoas? O drama adensava-se quando..."

"O inspector Madureira voltou a entrar na sala e perguntou: "Então, o que me diz?" E Edmundo ficou sem saber o que responder... Não entendia nada; a letra era a sua, de facto. A não ser que Fred a tivesse imitado... Só podia ser isso e foi o que tentou explicar ao inspector Madureira, que abanou a cabeça e disse: "Não, meu amigo, os analistas confirmam que a letra é sua!"...

" É neste preciso momento que Amanda entra, de rompante, na sala. Deslumbrante, segura, ousada, determinada, vestida de vermelho, aproximando-se como "felino manso" de Edmundo e do Inspector.
Senta-se num cruzar de pernas, melhor que o de Sharon Stone e afirma: - "Fui eu quem matou Fred, empurrando-o para que caísse da falésia, com receio da concretização do sentimento, já  existente entre eles. Fui eu que falsifiquei todas as cartas, melhor talvez, que Alves dos Reis fez com o dinheiro. Usei estratégias e métodos, que considero arrojados, hábeis e inteligentes e que revelarei à polícia, caso me seja pedido.
Inspector, tem aqui as minhas mãos, para que as possa prender, com as argolas do "amor", assim as considero e lhes chamo. Quero apenas pedir-lhe que seja satisfeita a minha última vontade, o que foi aceite pelos  elementos presentes da Judiciária, com um aceno de cabeça.
Aproximou-se de Edmundo, envolveu-o nos seus braços ternamente, e beijou-lhe a boca, de forma lânguida, longa e arrebatadora.
Um dia, serás só meu. Um dia, serei só tua. Amo-te! "

quarta-feira, 21 de novembro de 2012

Entrevista a Bloguistas: Raven

A entrevista decorreu esta manhã e estará muito em breve disponível para todos. Preparam-se porque a Raven joga ao ataque! Até breve!

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

A moda das reclamações!

Vivemos uma época de problemas mal resolvidos, frustrações e incapacidade para controlar a ansiedade dos tempos troikianos. A expressão facial mudou, os dentes são cada vez mais amarelos, as olheiras adensam-se e as sobrancelhas caem sobre os olhos sob efeito da austeridade. Gritos e mais gritos, costas voltadas, cochichos sobre a vida alheia e a repudiante cultura do individualismo. Esta é a imagem de um país à beira de um ataque de nervos!

Integrada nesta cultura do pânico está a moda das reclamações. Elas reproduzem-se como coelhos. Agora cada vez que há um espirro há uma reclamação. Se o vizinho do último andar cheira mal dos pés, há uma reclamação. Se chover, reclama-se. Se faz sol, reclama-se na mesma. Não se sabe a quem e muito menos porquê, mas reclama-se!

Os enfermeiros não são excepção. Aliás, se há classe profissional mais apetecível são os enfermeiros. Trabalham em jornada contínua, cansam-se enquanto os outros descansam, salvam vidas como poucos, ocupam a função de dois ou mais colegas que continuam a emigrar exponencialmente, são a classe responsável pelos doentes mais tempo durante o dia e são submetidos a situações de risco em condições por vezes desumanas. O benefício é sempre superior ao prejuízo causado, mas à mínima nódoa serão rotulados de incompetentes e culpados! Uma injustiça tremenda que me aflige ainda mais do que qualquer injustiça. 

A acrescer a isto, ainda se assistem a situações de falta de comunicação e conclusões precipitadas dos reclamantes típico de um país de cegos, surdos e mudos. Não interessam esclarecimentos, interessa sangue, numa punhalada pelas costas sem dó nem piedade.

Felizmente, piedade é algo que tenho. Compreensão também, de forma a situar-me na realidade que tenho e adiar o sangue desejado. E a realidade que temos é um país de pouco amor e muito ódio e enquanto não invertermos esta tendência continuaremos a ser um país de tristes à procura da solução para os problemas da carteira. A austeridade económica chegou recentemente, mas foi apenas o reflexo da prolongada austeridade intelectual que grassa nas mentes de muitos portugueses.

Por fim, deixo uma sugestão. Em vez de reclamações, adiram à moda das gratificações. Um dia fiz uma por escrito, curiosamente no mesmo livro das reclamações (alguém sabia disto?), e posso-vos dizer que foi das noites em que dormi melhor. Obrigado pela atenção!

quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Mundo Estático

Uma mesa desarrumada, uma bola ao poste, as nuvens no céu, e o sol que se esconde. Várias perguntas, respostas diversas, certezas nenhumas. O presente consegue ser ausente, o risco magoa, a marginalidade prevalece e o centralismo sofre. As buzinas ecoam, vozes ao fundo elevam o descontentamento e as lágrimas caem no asfalto. Cartazes, reuniões, portas fechadas e a palavra "Não!".

Uma paragem e um pensamento.

A respiração terapêutica e um suspiro de alívio. O amor existe e a chama surgirá numa noite de lua cheia. O trabalho dá trabalho mas há faces tão redondas como vincadas. E o mundo gira quando o homem quiser. Agitar o mundo antes de usar! Ser feliz!

Música: The Gift - La Terraza

quarta-feira, 31 de outubro de 2012

Bolinhos e Bolinhós Século XXI

Ainda sou do tempo...em que a noite das bruxas era a noite mais especial do ano dos miúdos da minha terra a seguir ao Carnaval. 

Noite de lençóis brancos à volta do corpo, uma abóbora na mão e uma vela dentro da abóbora. Muito Spooky! Depois muita farinha para espalhar pelas casas e carros por onde passávamos. À chegada às portas dos vizinhos, muita música e animação infantil, acompanhada de movimentos assustadores quando alguém aparecia à porta. Os habitantes ficavam com aquele ar enternecido enquanto viam os miúdos a divertirem-se e a cantarem os "Bolinhos e Bolinhós". No final perguntavam o que queríamos. Todos diziamos "o que puder dar...", mas no fundo o que nós queríamos era dinheiro. Malvados dos adultos que normalmente nos enchiam o saco de fruta da época (saudades daquelas romãs!), rebuçados e outras guloseimas. Dinheiro era uma raridade!

Mas os adultos tinham razão. Parece que adivinhavam o futuro que nos esperava. Hoje em dia as crianças crescem no mundo do Tio Patinhas e não atribuem significado às castanhas que os miúdos partilhavam no final da noite das bruxas, à animação que rodeava a confecção das abóboras assustadoras e ao sentido de grupo que as crianças revelavam de rua em rua. Hoje em dia o dinheiro move em grande parte as emoções das crianças e preferem passar uma noite ao computador ou a mandar SMS's do que a celebrar a noite das bruxas. Só não sei como ainda não inventaram o Facebook das Bruxas, venderia de certeza...

terça-feira, 30 de outubro de 2012

Apresentação de um livro!

No Sábado fui a mais uma apresentação de um livro. Mais do mesmo, diria eu! Uma primeira parte de intervenção política e social e uma segunda parte a viver da surpreendente chamada dos co-autores para se apresentarem em público. Do livro propriamente dito, nada! Como querem que compre um livro se nem o apresentam? E se esperavam que os co-autores o fizessem de uma maneira inesperada e muito menos sem o livro na mão, estavam muito enganados. Além disso, os escritores são tudo menos gente extrovertida em público. As melhores manifestações de um escritor são no papel e compreende-se que não sejam obrigados a brilhar oralmente. Para a próxima repensem a forma de divulgação da obra. E pelos vistos será dedicada ao amor, de certeza que não faltará imaginação. Assim o desejo...Sobre certezas, apenas sei que será mais um passo no caminho de um sonho de uma amiga muito especial. Para mim será chapa 5!

segunda-feira, 29 de outubro de 2012

A Teia


Era uma vez um insecto chamado Jici. E, como qualquer insecto, pousa onde gosta à distância de um voo. São asas, senhor, são asas. Mas um dia Jici é empurrado por uma rabanada de vento forte e cai na teia de uma aranha, a Mãozinhas. Bicho patudo, peludo e mudo. Com a Mãozinhas as palavras não existem, a democracia é uma miragem e a ditadura do parasitismo impera. Jici treme, barafusta, mas adapta-se ao seu novo casulo. Mãozinhas mantém-se impávida e serena, afinal de contas, o importante é o alimento.

O tempo consome Jici.

Mas certo dia, a teia negra e fria de Mãozinhas torna-se um pesadelo ainda maior. Polvinho, o primo mais afastado de Mãozinhas, surge como o novo parasita. Mas desta vez com mais pêlos, mais patas e sem qualquer tipo de expressão. Parece que veio para ficar e consumir o resto das asas.

No entanto, Jici não se conforma. Jici conhece o doce sabor da mudança. Mas não pode. Ou não sabe. Mas de uma coisa sabe. Por cada fio da teia de Mãozinhas e do Polvinho há diversas derivações. E ao longe o sol brilha e reflecte-se sobre a teia. O caminho faz-se caminhando...

(Capítulo em aberto!)

Imagem: http://www.universohq.com/quadrinhos/2010/n20052010_02.cfm
Música: The Gift - Meaning of Life

quarta-feira, 26 de setembro de 2012

O mistério também é meu!


Um beijo provocante num momento inesperado pode quebrar as barreiras da racionalidade e desvendar os mistérios da estranheza. Nunca se sabe tudo. Mas do nada pode-se fazer tudo. Curioso!

Imagem: http://www.google.pt/imgres?num=10&hl=pt-PT&biw=1024&bih=677&tbm=isch&tbnid=Ms0CQW0aPutifM:&imgrefurl=http://www.blogger.com/feeds/3609477297862147805/posts/default&docid=A6BhqmTGMlc1mM&imgurl=https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEhcpn-yveLadjSHhlG2__SfLJrXPc9_IwdMmP_4MXXw64eYAjC2ZjU-SF4pTXqHZsJg4oqxhNRCQW6VlMPNTaa_RnmbpCFVwwYdwdpsEwqsRaW9BQHx_YTJu8noSuNvDC8qTkpeiQ/s400/beijo.jpg&w=400&h=313&ei=FwxjUKm0Ac-whAfe2YDgCQ&zoom=1&iact=hc&vpx=625&vpy=47&dur=379&hovh=199&hovw=254&tx=197&ty=97&sig=110441954715903621304&sqi=2&page=1&tbnh=151&tbnw=200&start=0&ndsp=15&ved=1t:429,r:3,s:0,i:76
Música: Seda - 40 graus à sombra

domingo, 23 de setembro de 2012

Flash do Sol: Pôr-do-Sol!


Final do Verão. Final do tempo quente. Final do Sol, ou talvez não. Porque o sol existe sempre, tão certo como o pôr-do-sol existir. Tão certo como eu existir. E é precisamente o pôr-do-sol que as vossas objectivas devem captar nos próximos dias. Está aberto mais um concurso de fotografia desta vez para o tema: Pôr-do-Sol. Aguardo pelo vosso melhor sunset!


As participações estarão abertas até ao dia 7 de Outubro para o mail goncalofoc@gmail.com, sendo compostas pela imagem original alusiva ao tema e, se necessário, uma legenda. De 8 a 14 de Outubro estará aberto o concurso para a imagem do tema num post dedicado a esta rubrica! A apresentação das imagens será sob a forma do anonimato na página do blogue, sendo revelados os seus autores na apresentação dos resultados.

Prova que podes ser o Flash do Sol!

P.S.: Novidade: Eu serei participante!

Imagem: http://www.massachusetts-prenuptial-agreements.com/prenuptial-agreement/what-is-a-sunset-clause-in-a-prenuptial-agreement/

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Tesouro do Vinyl: Quinta do Bill





Quinta do Bill - Prece

Cada lágrima que choras é uma canção.
Cada canção que amas é uma verdade.
Cada verdade que vives é uma prece.
Que me proíbo de esquecer.


Ainda se lembram desta rubrica? 

Tesouro do Vinyl é a rubrica que recorda os grandes sucessos musicais que por alguma razão se tornaram significativos para mim. 

Quinta do Bill é um dos grupos que mais marcou a minha adolescência, ouvia-os ainda no tempo das cassetes, com uma inocência que apenas percebia a boa energia que eles transmitiam. Com o tempo cresci e apercebi-me do siginificado das suas palavras e a intensidade da sua musicalidade. E por falar em musicalidade, já tive o prazer de assistir a um espectáculo ao vivo deste grupo de Tomar e tem uma qualidade instrumental e de recursos musicais de grande valia. Tenho pena que tenham caído no esquecimento porque para mim fazem parte do hino da boa música portuguesa. 

Deixo-vos com uma prece. Um pouco de silêncio e muito sentimento!

segunda-feira, 17 de setembro de 2012

Copo Meio Cheio!


Há pessoas que nascem para quebrar a nossa rotina. Ora para a direita, ora para a esquerda, ora aparecem, ora desaparecem. Nunca têm explicações para os seus movimentos, apenas existem, à sua maneira. Mas por alguma razão desconhecida atraem sem saber como. Nem eu sei. Até ao dia em que deixam de ser atraentes e tornam-se importantes. Fazem-nos descobrir ou reforçar o amor próprio. Nesse dia temos a noção da cura plena. E hoje foi o dia!

Imagem: http://duvida-metodica.blogspot.pt/2010_09_01_archive.html

Acrescenta-me um Ponto! (Suspense)


Esta rubrica surge da necessidade de renovação e intensificação do espírito de unidade e imaginação da blogosfera e pretende que cada um dos bloguistas seleccionados seja autor de um parágrafo de um texto realizado em conjunto por vinte bloguistas. Depois de um tema livre e de um tema relacionado com o Erotismo, o próximo tema será Suspense. Sejam criativos!

Assim, passaremos a enunciar as seguintes regras:

Regras da Rubrica "Acrescenta-me um ponto!":

1 - O texto, constituído por vinte parágrafos, terá início no blogue "O Sabor da Palavra" (http://osabordapalavra.blogspot.com), segundo o seu autor Gonçalo Cardoso.
2 - Cada bloguista terá direito a um parágrafo do texto com o máximo de cinco linhas. Não é taxativo, tanto pode ser mais ou menos, mas sem exageros.
3 - Após a realização do parágrafo respectivo, cada bloguista terá que seleccionar outro bloguista que cumpra a continuidade do texto, segundo as regras mencionadas.
4 - Cada bloguista terá o limite máximo de três dias para realização do parágrafo, estando sujeito a desclassificação da rubrica e seleccção de novo bloguista por parte do seu autor.
5 - Cada bloguista assinará o seu nome e respectivo blogue na lista dos participantes.
6 - O último participante ou autor do vigésimo parágrafo, finalizará o texto e partilhará com o autor do blogue "O Sabor da Palavra" para a sua divulgação no blogue inicial.
7 - Sejam criativos.

E tudo começa assim...


"Já tinha dobrado as duas da manhã. Estava a sair da emissão de rádio, incomodado com um ouvinte que alegava a minha falta de isenção jornalística. Segundo ele, apenas dava voz aos ouvintes do sexo feminino e os temas escolhidos revelavam uma tremenda homofobia. Estapafúrdio, dizia para mim! Mas para o exterior resolvi o problema com a introdução de uma música de intervenção social. E assim fechei o programa. Peguei na mala, desci as escadas em direcção ao parque subterrâneo e ao chegar junto do carro encontrei um segredo envenenado..."

O texto continua no blogue da minha querida amiga "Pedacinhos de mim".

Lista de Participantes:
1 - Gonçalo Cardoso (O Sabor da Palavra)
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sábado, 15 de setembro de 2012

Um Grito por Portugal!




Eu esperei
mas o dia não se fez melhor
e o sujo não se quis limpar,
inventou mais flores em meu redor
como se eu não fosse olhar!
Enfeitou as ruas para cobrir
terra seca de não semear
deram-me água turva a beber
dizem cura e força e solução
como se eu não fosse olhar!
Eu esperei
mas o fumo não saiu da estrada
Arde o sonho em troca de nada
Dizem festa, mas é solidão
como se eu não fosse olhar!
A mentira não se fez verdade
e a justiça não se fez mulher
A revolta não se fez vontade
Braços novos sem educação
sangue velho chora de saudade!
Eu esperei
dizem luta mas não há destino
dão-me luzes mas não é caminho
dizem corre mas não é batalha
como quem não quer mudar!
Esta corda não nos sai das mãos
esta lama não nos  sai do chão
esta venda não deixa alcançar.
cantam “armas” mas não é amor
mão no peito mas não é amar
fato justo mas sem lealdade
cavaleiro mas já sem moral
braços sujos que se vão esconder
braços fracos não são de lutar
braços baixos não se querem ver
como se eu não fosse olhar!
Eu esperei
pelo tempo transparente em nós
pelo fruto puro de escolher
pela força feita de alegria
mas o povo dorme na ilusão!
e a tristeza é forma de sinal
Liberdade pode ser prisão...
Meu Deus, livra-nos do mal
e acorda Portugal...

O país não se salva com manifestações. Isto será apenas um grito. E um grito é uma manifestação ruídosa e impaciente que não pacifica nem cura. Mas a palavra manifestação agrada-me. Lembra-me as manifestações de amor. E mesmo um grito pode ser uma forma de amar. Porque a união a uma só voz é um magnífico sinal de amor. Até já meu povo, com amor!

sexta-feira, 14 de setembro de 2012

Ser Sexy!


Saber estar. Ter postura. Atitude confiante. Personalidade própria. Inteligência. Comunicação é um tópico fundamental. E, acima de tudo, saber ser sem se aperceber como. Um "like" para gente assim!

P.S.: Já valorizava o olhar, mas cada vez mais me apercebo das palavras silenciosas que um olhar transmite. Delicioso!

Imagem: http://somentecoisaslegais.com.br/arte/fotos-sensuais-e-artisticas-utilizando-sombras/attachment/foto-sombra-sensual-02
Música: Chris Isaak - Wicked Game

terça-feira, 11 de setembro de 2012

Um avião sobre a crise!

Final de turno da noite e eis que surge a chamada de um médico desconhecido para saber se um médico do serviço estava de férias. Como não tenho acesso à escala dos médicos e não havia nenhum médico presente no serviço, respondi gentilmente com um "Não tenho esses dados, mas poderia ligar mais tarde quando surgir um colega seu ou a secretária clínica". A resposta do outro lado foi "Você não me quer dizer, esse serviço trabalha muito mal para vocês não saberem as presenças uns dos outros e vou fazer uma reclamação contra si". Passado pouco tempo desliga-me o telefone, deixando-me a falar sozinho.

Fiquei muito agastado com esta situação. Primeiro, pelo cansaço natural do final de um turno da noite. Segundo, porque há gente que pensa ser o dono do mundo e que terá que ter toda e qualquer informação sempre que o desejar, independentemente da disponibilidade da mesma. Gostaria de saber se ele enquanto médico também saberá as escalas dos enfermeiros e auxiliares no seu serviço, e essas de facto existem e estão disponíveis. Terceiro, porque nos últimos meses, as palavras mais ouvidas no meu serviço deverão ser reclamações e processos. E isto independentemente da qualidade dos serviços, porque acredito que seja um problema geral. Quarto, porque tanto se exige a qualidade do serviço dos outros e no final de tudo responde-se com um acto de profunda má educação. Desligar o telefone sem aviso é de uma baixeza tremenda!

Não sei se terei reclamação ou não, a mim pouco me importa quando a minha consciência está tranquila, o que mais me preocupa no meio desta situação toda é a profunda inversão do rumo a dar ao contexto actual. O mundo está como está por uma enorme crise de valores e princípios, e quanto mais a crise se desenvolve, maior é a prepotência e o individualismo das pessoas, ao invés de uma renovação nos valores da união e solidariedade. Em dia de 11 de Setembro, bem se podia cometer um atentado ao edíficio do materialismo humano!

sexta-feira, 7 de setembro de 2012

Ginásio é saúde (e não só!)


Ir cansado, carregado e desmotivado, transpirar que nem um frango na grelha, limpar o suor com um banho retemperador e repor os líquidos perdidos com uma água purificada. Ver gente com bom aspecto, apoiar a metro sexualidade, identificar o culto físico e acreditar que é possível mostrar a beleza interior através do corpo. Para quem a tem, claro. Mas no meio de tanto fluido aos saltos, de olhos tão bonitos como observadores, de corpos tão belos como trabalhados, serei só eu a achar que o ginásio é um dos mais apetecidos espaços de engate? Pelos personal trainers não colocaria nem o dedo mindinho no fogo...

Imagem: http://saude.sapo.pt/peso-nutricao/em-forma/artigos-gerais
Música: Jennifer Lopez - Dance Again

domingo, 2 de setembro de 2012

Injustiça dos Especiais...

...dormir oito horas por dia, lavar os dentes depois das refeições, ir à escola sem excepção, fazer os T.P.C., ajudar o irmão a fazer os T.P.C., comer a sopa toda e voltar a dormir oito horas por dia para, no dia de aniversário, receber um rebuçado de mentol de marca branca enquanto o miudo traquina da vizinha recebe uma caixa de Ferrero Rocher!

Qual o pecado do bom comportamento?

terça-feira, 31 de julho de 2012

Bronze à pedreiro é que é bom!

Hoje uma miúda na praia perguntou-me porque não tirava a camisola e se queria ficar com o chamado "bronze à pedreiro". Respondi-lhe com a inutilidade de um bronze no peito. Senão vejamos, não poderei regressar ao trabalho e apresentar-me assim para um doente:

"Bom dia, eu sou o Enfermeiro Gonçalo, e vou despir a minha camisola só para perceber que estive de férias..."

Para quê? Basta olhar para a cor dos meus braços para perceber que estive de férias ou sou descendente de moçambicanos! E, na rua, ninguém anda de mamas ao léu a exibir o seu bronze de dia e meio.

A miúda insistiu e veio com o argumento do bronze como sinónimo de sensualidade na intimidade. Nunca ouviram dizer que o amor é cego? E além disso, o fenómeno do lusco-fusco é capaz de tornar uma norueguesa numa sul-africana sem deixar marcas.

Portanto, se por ventura estiverem a pensar fazer "topless", deixem-se disso. Primeiro, porque o vizinho da toalha ao lado não tem nada que conhecer as marcas do fato de banho em plena luz do dia. E qualquer marca é invisível aos olhos de quem gosta!

Muito sol para todos!

sexta-feira, 27 de julho de 2012

Flash do Sol (Gatos): a imagem!




Este é considerado o Flash do Sol para a categoria gatos. Esperava mais imagens dado o carinho que as pessoas têm pelos animais e especialmente por gatos mas por alguma razão desconhecida apareceram apenas 3 imagens. Muito interessantes, por sinal, tal como já esperava com este tema. Esta imagem pertence à minha querida Teresa Santos que pode intervir poucas vezes, mas sempre que o faz, faz com grande sentido de oportunidade. Desta vez não podia ser melhor: chegou, viu e venceu. E deixou-nos as seguintes palavras assim que soube da vitória. Confesso que, especialmente os últimos parágrafos, deixaram-me com um brilhozinho nos olhos.

“Antes de mais quero agradecer a todos aqueles que votaram na fotografia n.º 1, a fotografia da minha Miuzinho no dia do seu 1.º aniversário.
Bolo? E vela? Interrogar-se muitos de vós. É verdade! Isso e muito mais. É que ela era especial, é que a Miuzinho era muito bonita, mas era muitíssimo mais do que isso. Era uma companheira, uma “adivinhadora” do meu estado de espírito. Sabia quando devia brincar alegremente, da mesma forma que sabia que o silêncio, a quietude dela junto a mim era o mais aconselhado. E deitava-se, e enrolava-se, e dormia tranquila, numa tranquilidade contagiante. Que paz me dava olhá-la naqueles momentos!...
Obrigada, Miuzinho! Tu sabes (quero acreditar)  que nunca mais te esquecerei. Tu sabes que marcaste a minha vida de forma indelével.
Tu sabes a falta, a falta imensa que me fazes, tu sabes!

Para ti, Gonçalo, para todos nós os que te conhecemos, tudo o que possa dizer será redundante.
Todos sabemos a forma como olhas e respeitas o Outro (daí a enorme estima que me mereces), a forma como te entregas e empenhas em tudo o que fazes.
És um dinamizador nato, uma pessoa que consegue motivar e incentivar, que levas a interagir. Queres um exemplo? A organização - que tanto trabalho te dá - dos almoços/reunião dos blogueiros, a realização de concursos e iniciativas vários que contemplam várias temáticas.

Gostaria de te fazer um pedido, posso?
Nunca deixes de ser igual a ti próprio.
Apenas mais uma palavra: obrigada, Gonçalo, um grande OBRIGADA!”
Teresa Santos

Por final, revelo que a imagem 2 também pertencia à Teresa Santos e a imagem 3 pertencia à Eli.

quinta-feira, 26 de julho de 2012

Apanhar enguias!

Estou a ficar um especialista em apanhar enguias! 

Elas bem tentam esquivar-se, agarram-se no tempo, e são mais velozes que o Bolt na "Hora H".

Mas um dia o aquário torna-se num beco sem saída e toda a verdade será descoberta nos braços do polvo!

(isto já é embirrice, mas são os desafios que me movem!)

quarta-feira, 25 de julho de 2012

Uma Pausa nas Férias

Uma das características que os portugueses têm é o sofrimento por antecipação. Abomino qualquer tipo deste género do "coitadismo", mas ao mesmo tempo também reconheço que nem sempre é fácil abstrairmo-nos da realidade futura.

Hoje acordei assim. Encalhado entre o descanso e o trabalho. E nem aproveito o descanso, nem resolvo o problema do trabalho.

O meu problema está nos equilíbrios. Passar do 8 ao 80 e do 80 ao 8 em tão pouco tempo, sem uma perspectiva de um meio-termo favorável.

Quanto mais o tempo passa mais visível é o regresso a um caminho não-escolhido e com fracas possibilidades de melhoria. Sou uma pessoa activa na busca da minha felicidade e sou a favor da mudança na busca do equilíbrio. Todas as mudanças são arriscadas, mas esta infelizmente implica um risco acrescido que me obriga a tomar opções com a ajuda de pinças, dado o contexto actual da sociedade laboral. Noutra época tudo seria mais fácil, bastava estalar os dedos e a mudança concretizava-se. Com riscos, claro, mas num caminho de avanços e recuos possível e desejável para o sucesso.

Por hoje é tudo, tenho o sol à minha espera!

sábado, 21 de julho de 2012

Notas Soltas - Férias


Não sei se é por estar num sítio "IN" do turismo em Portugal (só para dizer que estou num sítio "IN"), mas parece-me que os portugueses voltaram a fazer férias no quintal da vizinha.

Por falar em portugueses, a "chique-espertice" contamina o mundo e basta raiar o sol para se assistir à corrida-internacional-das-espreguiçadeiras-ocupadas-com-toalhas-manhosas (muitas vezes as do Hotel).  O rescaldo da corrida torna-se mais engraçado num dia de vento. Nessa altura assiste-se à corrida das toalhas fora da espreguiçadeira. Já uma vez ocupei uma espreguiçadeira vazia tendo uma toalha alheia estendida no chão e ainda hoje me lembro da cara dos chico-espertos quando regressaram. Impagável!

Os anos passam, os locais mudam, mas o conceito de casal espanhol é o mesmo. Ela é bonita, vaidosa, maquilhada na piscina, vestida para uma festa na praia todos os dias e com aquele pormenor da discreta tatuagem ou do piercing que me seduz tanto. Ele é anafado, com a barriga proeminente, de calções e camisola manga cava seja qual  for a ocasião, sapatilhas que mais parecem umas botas da tropa e com aquele ar livre e despreocupado. Tenho pena "chicas", mas não gosto de cerveja!

Sem mais demoras porque sou português e tenho que aproveitar o último dia da estadia. Os outros foram para os pardais. Agora é que é!

Imagem: http://ostagarelasdocovo13.blogspot.pt/2010/07/boas-ferias.html
Música: One Republic - Good Life

sexta-feira, 20 de julho de 2012

Dia dos Amigos




"As pessoas são muito mais importantes do que qualquer outra pessoa. Gosto de pessoas. Gosto de as conhecer, do convívio com elas. Esta é a opinião que tenho. Mas não era uma ideia tão consciente, nem tão saboreada. por exemplo, sou capaz de ir ao Porto ter com uma pessoa já. Mas sempre fui assim. Em miúdo era capaz de fazer 1200 km em Moçambique para ir à festa de aniversário de um amigo. Eram 12 horas de caminho. Ainda hoje me faz confusão quando as pessoas não são capazes de fazer este tipo de coisas pelas outras, quando o encaram como um sacrifício."
António Feio, Aproveitem a Vida

A leitura de um livro é tão mais interessante quanto maior a identificação inesperada pelas palavras do autor. Por momentos senti-me também em Moçambique. Já fui a aniversários distantes. Sou amante de desafios distantes. Simplesmente porque há boas causas. Um dia fui a Elvas conhecer uma pessoa especial, e vim no próprio dia. Como diz Boss AC, "eu só preciso de 5 minutos". Já fui preparar uma refeição ao Porto. Vim de seguida. Organizo encontros nacionais em qualquer lugar, mas procuro evitar Coimbra, sinto que devo dar o exemplo. Já passei férias percorrendo os caminhos de Portugal naquilo a que chamo "O Roteiro da Amizade". Viseu é uma cidade tão próxima de Coimbra quanto a minha vontade. Trás-os-Montes não é apenas sinónimo de enchidos e fumados, também simboliza a amizade. E muito mais haveria a dizer, porque há pessoas que são um prazer!

"...se tu e eu somos amigos, há uma iminência no seio do nosso relacionamento. Quando nos vemos ou quando estamos separados, há a iminencia de estarmos juntos, de rirmos e falarmos. Essa iminência não tem definição concreta: é viva, dinâmica, e tudo o que emerge do facto de estarmos juntos é uma dádiva única que não é partilhada por mais ninguém. Mas o que acontece se eu substituir "iminência" por "expectativa", verbalizada ou não? Subitamente, a lei entra no nosso relacionamento. Agora, espera-se que te comportes de um modo que vá ao encontro das minhas expectativas. A nossa amizade viva deteriora-se rapidamente e torna-se uma coisa morta com regras e exigências. Já não tem a ver connosco, mas com aquilo que os amigos devem fazer, ou com as responsabilidades de um bom amigo."
WM. Paul Young, A Cabana

Uma amizade é livre, sem restrições e vive da naturalidade das relações. Os amigos são amigos porque agregam um conjunto de factores que os tornam propensos a estarem mais vezes juntos, a partilhar os seus sentimentos e emoções e a converterem uma relação a dois descaracterizada numa relação com identidade própria.Numa amizade não se espera, vive-se! No entanto, por vezes precisamos de definir o conceito de amigos e bons conhecidos. Porque há pessoas especiais que não se conjugam em uníssono, mas alimentam uma relação de bem-estar e prazer. Aquelas pessoas que acreditam convictamente na amizade mas não agem como tal, continuando a confundir-se a si próprio e aos outros. A mim não me enganam, a amizade é um conceito bastante simples entre o ser e o não ser, e neste conceito não cabem movimentos forçados e atitudes do "nim".

Sim! Assumo a minha amizade e não preciso de destacar nomes. Vocês sabem quem são!

Imagem: http://noauge4ponto0.blogspot.pt/2010/06/amizade-um-amor-que-nao-vicia.html
Música: Sarah Brightman e José Carreras - Amigos para Siempre

Palavra Puxa Palavra: "Agarrem-me ou dou cabo desses palhacitos"


"Num mundo em ebulição, onde a inovação de hoje é a antiguidade de amanhã, torna-se complicado encontrar referências que preservem a nossa identidade, um fio condutor que dê sentido à nossa vida e aos relacionamentos que vamos estabelecendo. Nunca o choque de gerações se fez sentir tão intensamente (opinião minha e espero que também de algum perito na matéria) e nunca foi tão difícil resistir à tentação de desatar à estalada perante os comportamentos caricatos com que, diariamente, deparamos. 
Este livro, mais do que um guia de sobrevivência para os tempos modernos, procura mostrar que o humor foi, é e será, a melhor forma de encarar a vida."

Ia eu tranquilamente a passear na Fnac quando encontro na secção Novidades este livro. Para mim já não era novidade, dada a atenção que presto à carreira deste senhor e a publicação deste livro. A novidade para mim foi a excelente exposição deste livro numa das prateleiras em destaque da Fnac. Para mim, já vem tarde! O meu caro Rafeiro Perfumado é um dos bloguistas mais mediáticos da blogosfera portuguesa, com um humor canino e inteligente que não fica nada a dever a nenhum gato e ainda por cima uma excelente pessoa. Por isso, merece este e mais sucesso, com o mediatismo necessário para quem trabalha dedicadamente os seus talentos.
Cheguei a temer por problemas de socialização por ter absorvido este livro em menos de 48 horas, mas foi mais forte do que eu. Numa leitura suave, entretida e bem humorada, podemos descobrir estereótipos curiosos da sociedade portuguesa, e aprender a desmontá-los com uma argumentação tão divertida como inteligente. E tudo isto por um preço muito convidativo!

"E para eu considerar um tipo como bom escritor, tenho de o considerar como cumpridor de alguns requisitos, como:
- ter imaginação
- conseguir cativar o leitor
- saber escrever"
Rafeiro Perfumado, Agarrem-me ou dou cabo desses palhacitos", p. 85

Nem mais, excelente definição também para o Rafeiro Perfumado!

P.S.: Sem qualquer comissão na Fnac, nem nos livros do autor supracitado.



quarta-feira, 18 de julho de 2012

Flash do Sol: Gatos (Votações)

Estão abertas as votações até ao dia 25 de Julho para o concurso da nova imagem do Flash do Sol sobre o tema "Gatos". Desta vez os autores apenas serão identificados no final. Boa votação!

Imagem 1


Imagem 2


Imagem 3:

Eu queria participar nos Gatos, mas não sabia muito bem como, uma vez que não tenho propriamente acesso a eles para uma sessão fotográfica... até que, de repente, me lembrei de uma situação de uma menina que tocou num gato pela primeira vez. Descobertas... Coisas mais belas. Ela tocava no pêlo com o dedo e depois olhava-o para perceber de onde vinha aquela sensação do toque. Um momento inesquecível. Escusado será dizer-se que gostou muito de gatos e cães, passando o resto da tarde a chamar por eles (à sua maneira) enquanto estava ao meu colo.

Música: Tiago Bettencourt - Poema de Desamor

quarta-feira, 20 de junho de 2012

Flash do Sol: Gatos

Inicia-se hoje nova rubrica do Flash do Sol.

Esta rubrica viverá da participação das vossas câmaras fotográficas indiscretas sobre determinado tema num espaço definido de tempo.

Depois da Primavera, o próximo tema será: "GATOS". Já vi fotos bem bonitas e poderosas sobre gatos e acho que é um tema que promete imenso.

As participações estarão abertas até ao dia 4 de Julho para o mail goncalofoc@gmail.com, sendo compostas pela imagem original alusiva ao tema e, se necessário, uma legenda. De 4 a 12 de Julho, estará aberto o concurso para a imagem do tema num post dedicado a esta rubrica! Como novidade, a apresentação das imagens sob a forma do anonimato na página do blogue, sendo revelados os seus autores na apresentação dos resutados.
Prova que podes ser o Flash do Sol!

Música: Cat Stevens - Father and Son

segunda-feira, 18 de junho de 2012

Arrogância

A confiança é a chave do sucesso. Mas por vezes a confiança assemelha-se a arrogância. Sinto que nos últimos dias a confiança tornou-se arrogante. Por vezes tenho estes períodos mais definidos. Desconheço a razão mas, tal como aparecem também desaparecem, de um momento para o outro. Serei bipolar? Bipolar não serei, com certeza, apenas ser humano. Felizmente, escuto vozes sábias! E nesse momento, ligo o chip da "Humildade". Ligado desde ontem!

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Deus Existe!

Ainda sinto o corpo a tremer...

Ter o carro imobilizado no solo é uma tremenda chatice seja em que local for. Mas qual será o pior sítio onde se pode encravar o carro? Na passagem de nível de uma linha do comboio! 

Aconteceu há pouco, era pouco mais de meia-noite e estava a passar a linha quando tento desviar-me de um enorme buraco do outro lado da passagem de nível quando o carro acabou por cair noutro buraco e ficar imobilizado. Nem para trás, nem para a frente. Metade do carro fora da linha e a outra metade estacionada em cima da linha. O cenário piora mais quando esta passagem de nível fica num local ermo, desertificado, escuro e numa hora improvável para a ajuda de alguém. Naquele momento, mil e uma coisas passam pela minha cabeça. Acelero até mais não, mas o carro mantém a mesma posição. Tento a marcha-atrás mas o resultado era o mesmo. Saio do carro, procuro soluções. Não encontro e volto para o carro em nova tentativa desesperada de aceleração. A qualquer momento podia passar um comboio a alta velocidade. A cancela avisar-me-ia pelo sinal sonoro a tempo de fugir, mas o fim do meu carro e um desastre de várias pessoas seria uma tragédia que me arrepia e que nem quero imaginar.

Tinha ido levar a minha amiga F. a casa, que distava cerca de 200 metros da linha. Peguei no telemóvel que por sinal estava a abrir a linha de chamada com uma lentidão desesperante. Liguei para a F., contei rapidamente a situação e pedi ajuda. A ela e a qualquer pessoa que naquela hora me pudesse ajudar. Não sei em quanto tempo ela apareceu, mas tenho a certeza que foi em muito pouco tempo. Desesperada, apenas queria tirar dali o carro. Eu também e pedi-lhe ajuda para empurrar o carro enquanto acelerava. Percebi em pouco tempo que esta não era a solução. Precisava de mais gente para empurrar o carro. Gente que não veio quando a F. saiu de casa e bateu violentamente em todas as portas a gritar por ajuda. Supliquei-lhe para que corresse e procurasse de novo por ajuda. Algo teria que acontecer!

Não sei se ainda tentei mais alguma vez acelerar com o carro sozinho, só me lembro que colocando todas as hipóteses em aberto, tive o sangue frio de me lembrar do número de assistência das passagens de nível. Corri para a placa e registei o número, numa altura em que a operação no telemóvel mais parecia uma eternidade. Do outro lado, um senhor com uma voz tranquila atende-me a chamada e eu desato a mostrar o caos que estava a viver. De imediato, ouço a voz dele a pedir a alguém para impedir qualquer passagem de comboios nesta linha. Repeti de novo para me assegurar que nenhum comboio passaria e tranquilizei. Nesta altura, F. e os seus senhorios, a Sra. E e o Sr. J. chegam apressadamente, ainda com a roupa de dormir, e gritam para que tire dali o carro imediatamente. Disse-lhes que não passaria mais nenhum comboio até o problema se resolver mas continuavam a gritar. Repeti e julgo que compreenderam. O Sr. J. ainda procurou em desespero acelerar até o carro ganhar asas. Nada feito. Desliguei o telemóvel e procurei mais calmamente encontrar uma solução. Passado pouco tempo, o Sr. J. descobriu o problema, levantou o carro com a ajuda da F. enquanto eu acelerava e, como se tratasse de magia, o carro avançou e caminhou até porto seguro. Estava resolvido o problema! Faltava apenas ligar para a assistência. Assim foi feito, com a promessa da assistência para avaliar de imediato as condições de acesso nesta passagem de nível. Há males que vêem por bem!

Várias ilações a retirar:

Deus existe, os meus Anjos-Da-Guarda são magníficos e todos os Santos estavam comigo! O sangue frio para conseguir impedir a passagem de qualquer comboio foi um momento de muita luz!

Jamais passar por aquela passagem de nível, a menos que as condições de acesso melhorem significativamente. E mesmo assim...

Há pessoas que têm medo do desconhecido. Mesmo quando o desconhecido grita desesperadamente por ajuda a uma hora tardia da noite. A culpa é dos mal-intencionados, mas é preciso gerir melhor o bom-senso!

Há pessoas maravilhosas, solidárias, bonitas mesmo. Agradeço eternamente à F., à Sra. E. e ao Sr. J. Vocês merecem tudo de bom!

Depois disto ainda continuo a pensar. Será que há mais alguma ilação que desconheça?

Tudo está bem quando acaba bem. Ufa...

Música: Amália Hoje - Foi Deus

domingo, 3 de junho de 2012

Rock In Rio: eu fui!



Começa a ser um clássico de dois em dois anos. Rock In Rio: eu vou! Neste caso, eu fui, mais uma vez. E numa noite de clássicos.

Os clássicos portugueses The Gift foram os agitadores de emoções. Um bom ensaio geral para uma noite de grandes emoções. A Primavera antes do calor do Verão. E tal como a estação da Primavera, actuação curta demais para uma das melhores bandas portuguesas. Mereciam mais tempo para revelar todo o seu esplendor, mas desígnios da organização assim obrigam...

Ok, Do You Want Something Simple?

O público respondiu afirmativamente e passou da Primavera para a simplicidade dos tons de Verão da Joss Stone. Esta miúda prova que a beleza está nas coisas mais simples. Os seus longos cabelos loiros, o seu olhar brilhante, o seu sorriso de menina e um vestido de cores claras definindo bem as curvas da sua elegância. Começa a música e um talento vocal imenso enche por completo a cidade do rock na sua transformação do dia para a noite. Pôr-do-sol magnífico! E pelo meio uma voz no público chega a dizer que "nem a Luciana Abreu". Para mim a maior surpresa foi a sua capacidade de interacção com o público. Nota máxima!

Noite cerrada. Calor imenso. Pernas cansadas. Gente sentada no chão. E o Bryan que não aparece... Até que o canadiano mais famoso do mundo entra em palco e arrebata os milhares e milhares de fãs que se aglomeravam por toda a cidade do Rock. Inúmeras cabeças e mãos no ar e nenhum sinal do chão! Hora e meia de uma intensidade fora de série entre as baladas e as grandes malhas do rock. Corações apaixonados aproveitavam para reforçar o seu amor. Muitos pés fora do chão para acompanhar o eterno ídolo da juventude nas suas famosas guitarradas. Até que surge o "Momento Youtube" e Vanessa Silva acompanha Bryan Adams em palco na música "When you´re gone". Uma dupla alegria para mim. Primeiro pela originalidade. Segundo, pela excelente actuação de uma cantora que sempre gostei e que, tal como muitos outros, continuam à espera de uma oportunidade para revelar todo o seu talento musical. Merece mais sorte, esperemos que seja desta...No final do concerto, muito cansaço e pouco fôlego. Não seria fácil a Stevie Wonder bater tamanho espectáculo. Para mim, foi o grande concerto da noite!

Além da fasquia estar muito em alta, o tempo de espera por Stevie Wonder foi imenso. Já passava da uma da manhã quando Stevie entra em palco e mostra a sua enorme qualidade artística, realçada pelas suas limitações físicas. No entanto, com muito menos público do que a actuação anterior, e os resistentes com visíveis sinais de cansaço. Dei por mim a pensar que este poderia ser muito bem um espectáculo para ver de cadeirinha. O talento está lá, é delicioso, mas os pés precisam apenas do chão.

Final de festa e a realização de um grande momento. Tudo por uma boa causa. Por um mundo melhor. Até 2014!

quinta-feira, 31 de maio de 2012

Tempo

"O tempo perguntou para o tempo qual é o tempo que o tempo tem. O tempo respondeu pro tempo que não tem tempo de dizer pro tempo que o tempo do tempo é o tempo que o tempo tem". 

O tempo tem respostas para tudo. Mesmo para o tempo. Mas o tempo não certifica a solução. O tempo ajuda mas não garante. O tempo é um remédio, mas será a cura? Responde-me, tempo... 

Quanto mais o tempo passa, mais um homem se desgraça. Mas será o tempo a origem de um estado de graça? 

Neste tempo de incerteza, homens bons respondem-me com...o tempo. O tempo muda. O tempo cria. O tempo agita. O tempo apazigua. O tempo pede mais tempo. 

Esperar ou agir? Eis a questão! 

Enquanto isso, tempo de luz. Porque à mulher de César não basta ser, tem que parecer. Eu sou, eu pareço!

Tempo de Sol! 

"Tonight We are young 
So let's set the world on fire 
We can burn brighter than the sun" 

Imagem: http://anormal-anm.com/?p=6688 
Música: Fun - We Are Young

quarta-feira, 30 de maio de 2012

Arco-Íris

Não gosto. Para mim o vazio é pior, mas este continua a ser o menos mau. Amar, querer amar mas ao mesmo tempo não amar e não permitir ser amado. Porque quero continuar a Amar, e ser amado sem realmente amar num corpo sensível e sedento é um risco enorme na atitude de Amar!

A verdade, acima de tudo! Mas será que a verdade basta quando alguém ama? A verdade é tão cruel quanto mais fortes forem os sentimentos e menos fiel for a sua correspondência. Não te quero magoar! Sou um ser apaixonado por natureza, mas seria bem mais fácil amar e Amar em simultâneo. Talvez essa fosse a verdade mais cruel, mas também a força mais libertadora...

Enfim, crescemos!

Música: Bon Iver - I Can't Make You Love Me

segunda-feira, 7 de maio de 2012

Pensamentos

Viver com entusiasmo na família e no trabalho!
Poder acordar de manhã, feliz, afinal hoje é dia de trabalho!
Sair do trabalho, feliz, simplesmente porque há uma família maravilhosa para desfrutar!

No meio disto tudo: o dilema! Que estratégia?

O objectivo é simplesmente tudo: amor e trabalho! Porque não há felicidade sem um grande amor, nem um trabalho mediano que nos faça feliz.

"Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes.
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive."
Ricardo Reis

A felicidade está na motivação. Amor e trabalho num mundo só. Muita saúde, sempre. E acreditar que a mudança é o princípio mais básico da felicidade. Por mais dura que seja a mudança, mais dura será a conformação...

Mudança: sim!

Música: Lana del Rey - Born to Die

quarta-feira, 2 de maio de 2012

Flash do Sol: Vencedora da Primavera!

"É uma grande honra ser a primeira ‘vencedora’ desta magnífica rubrica e com direito a discurso e tudo… :P Primeiro que tudo, quero dizer à Eli, à Raven e à Carolina que as fotos estão magníficas. Adoro o espelho da Eli, a serenidade e mística da Raven, a beleza da Carolina. Muitos parabéns a todas! Este tema diz-me muito… É a Primavera que marca um novo rumo em mim e me traz pessoas muito especiais. Bem, este meu ‘flash do sol’ foi pelo jardim de minha casa. Quando penso em Primavera, penso logo em flores e luz. Queria transmitir a cor, a delicadeza, a magia, a beleza desta época aliado ao que dá efectivamente este encanto à natureza… o céu… O céu onde brilha o SOL… Responsável por todo o deslumbramento de contrastes de formas e cores. É este magnetismo que sinto e queria transmitir… O infinito do céu com a graciosidade da cor das flores. Como sugestão e já foi referido, para a próxima poderíamos votar sem ser por comentário e as fotos serem anónimas. É mais fácil a imparcialidade no voto. Por fim, só tenho de te agradecer Gonçalo… Pela Primavera, pela inspiração, pelo dinamismo… Por estares e seres… Unicamente… Sunshine ;) Beijinhos primaveris a todos"
Buxexinhas, 1ª vencedora do Flash do Sol

A votação foi tão dividida que redundou num empate. Como eu é que sou o presidente do júri, o meu voto prevaleceu em caso de empate e deu a vitória à Buxexinhas. Uma imagem forte e provocante que recorda-me a música dos The Gift "Les Tullipes de mon jardin" e marca um momento feliz da minha vida. Afinal, a Primavera é quando o homem quiser. E a perfeição é um objectivo possível com imperfeição. Parabéns Buxexinhas!

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"Agarrem-me ou dou cabo desses palhacitos!

Este livro, tão gordo como o anterior e com muitos mais textos e palavras originais, volta a debruçar-se sobre o quão difícil é sobreviver na sociedade actual, com especial incidência nos conflitos que temos com a nossa geração, com as gerações anteriores e com as gerações mais recentes.
Como tal, muito me alegraria contar com a tua presença num dos lançamentos ou mesmo nos dois (apesar de eu garantir que o livro será o mesmo), nos dias:

Lisboa - Feira do Livro (Stand da Bizâncio) - Parque Eduardo VII - 6 de Maio, entre as 16:32 e as 20:04

Porto - Feira do Livro - Não faço ideia onde nem quando, mas deve ser entre os dias 31 de Maio e 17 de Junho (nada de marcar férias para estas datas)"

Já todos conhecem o enorme talento do Rafeiro Perfumado. Se não conhecem deviam conhecer! Eu tenho a felicidade de o conhecer pessoalmente e continuo a achá-lo um homem extraordinário a cada dia que passa. E parece que tem o seu terceiro livro editado. Quem sabe se não será o trampolim para a exposição mediática que julgo que já merece. Não devo ir à apresentação do livro a Lisboa mas se puder vou à do Porto. Isto promete! Rafeiro, dás-me um autógrafo?

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"A sua filha faz anos? Uma amiga vai ter uma menina? Vai casar e queria um convite simples mas giro? Quer um convite sem complicações que possa imprimir na sua própria casa? Então eu posso ajudar. Bem-vindos ao blog Convid'Áki! Um blog de alguém que adora design (apesar de não ter formação específica) e que adora "registar" os bons momentos da vida: eu!
Espero que aqui encontre o elemento especial para o seu aniversário ou de uma pessoa que lhe é querida, para o logótipo do seu projecto pessoal ou mesmo para um cartaz para uma festa de amigos! Espero poder ajudá-lo a tornar os seus acontecimentos da vida melhores e mais especiais!
Estou aqui, à sua espera!"
 
Um diabo de roupa curta sugeriu e eu partilho com todos! Vale a pena viver num sistema de trocas e de talentos, e o talento da autora é o design! E todos podemos viver com os talentos dos outros. Ajudar também faz bem! E o dia da mãe está a chegar. Boa sorte para este projecto! 
 

quinta-feira, 19 de abril de 2012

6 anos!

Este blogue completa hoje seis anos de existência. Já foi bebé, conheceu o sabor da palavra, descobriu que o sol é a sua essência e hoje está preparado para ir à escola e conhecer novos mundos.

Tudo começou num princípio de talento, numa descoberta improvável da comunicação no mundo de um matemático, e quando os números dão lugar ao coração, o resultado final só pode ser a maravilha da imaginação e a mistura das emoções.

Sabe bem rever textos passados, qual álbum de criança que reporta os seus primeiros passos, a sua primeira papa e o primeiro banho de pilinha à mostra. Esta exposição sempre esteve presente, porque só se conhece quem se dá a conhecer, e mesmo nas entrelinhas há tanto de mim de forma tão lógica. Desta vez, a lógica do coração em detrimento da lógica dos números!

O número de hoje é o seis! Seis anos de encontros e desencontros, definições e indefinições, num caminho de auto-conhecimento e optimismo que me orgulha por mim e pelo meu sentido de partilha. Música, crónicas, imagens, encontros de pessoas, livros, cinema, reflexões, amigos, amigos de amigos. Tudo foi motivo para sentir, partilhar e honrar-me do percurso dos últimos seis anos, porque tudo é a minha vida!

A viagem continua...

Imagem: http://primouz.blogspot.pt/2012_02_01_archive.html
Música: Gotye - Somebody That I Used To Know