Mais uma noite de final de Verão agradável, mais um espectáculo ao vivo de qualidade! Desta vez fui à bela cidade de Tondela assistir ao concerto dos Deolinda, para mim nada mais nada menos que o grupo revelação do ano passado.Já me tinham sido apresentados numa das festas académicas em Aveiro, na altura com um público vibrante do princípio ao fim, e num ambiente fechado potenciador de grandes emoções. Na altura, foi um dos melhores concertos da minha vida!
A curiosidade levou-me a desejar reencontrá-los neste Verão, mas por uma razão ou por outra só me foi possível reencontrá-los ontem, e em boa hora o fiz porque a noite de ontem foi a mistura entre a brisa da música e o tesouro do vinyl.
Brisa da música, porque as músicas do álbum recente e de estreia dos Deolinda refrescaram a alma dos presentes, acompanhados por uma brisa suave que pairava no ar. Um refresco intenso, ao ponto de acordar a grande maioria do público tondelense que se apresentou apático e pouco interactivo no início do espectáculo e participou em crescendo durante o resto da actuação, imbuídos no espírito estimulante de Ana Bacalhau (vocalista dos Deolinda). No final, os braços no ar e as palmas em uníssono eram uma constante no recinto bem composto e surpreendido pela energia dos Deolinda. Entre o “Fado Toninho”, “Eu Tenho um Melro” e “Fon-Fon-Fon”, destaco a pertinente música “Movimento Perpétuo Associativo” que representa a dicotomia entre o seres activos e passivos, numa importante reflexão nesta fase de campanha eleitoral. Afinal de contas, ainda podemos decidir!
Deolinda - Movimento Perpétuo Associativo
Agora sim, damos a volta a isto!
Agora sim, há pernas para andar!
Agora sim, eu sinto o optimismo!
Vamos em frente, ninguém nos vai parar!
Agora não, que é hora do almoço...
Agora não, que é hora do jantar...
Agora não, que eu acho que não posso...
Amanhã vou trabalhar...
Agora sim, temos a força toda!
Agora sim, há fé neste querer!
Agora sim, só vejo gente boa!
Vamos em frente e havemos vencer!
Agora não, que me dói a barriga...
Agora não, dizem que vai chover...
Agora não, que joga o Benfica...
e eu tenho mais que fazer...
Agora sim, cantamos com vontade!
Agora sim, eu sinto a união!
Agora sim, já ouço a liberdade!
Vamos em frente, é esta a direcção!
Agora não, que falta um impresso...
Agora não, que o meu pai não quer...
Agora não, que há engarrafamentos...
Vão sem mim, que eu vou lá ter...
Por sua vez, a noite tornou-se também um tesouro do Vinyl, fazendo-me recordar as grandes noites dos bailes da aldeia, mais propriamente a banda Mega que actuou antes e após os Deolinda. Uma banda enorme, com um guarda-roupa considerável, e uma qualidade vocal interessante de vários dos seus elementos, recordaram grandes clássicos da música latina, salientando a boa interpretação de músicas do promissor grupo Mamonas Assassinas, falecido há alguns anos num acidente de aviação. Há quanto tempo que não os ouvia, e gostei! Aqui fica a recordação e a homenagem, num tema tão fofinho como divertido:
Mamonas Assassinas - Pelados em Santos
Mina,
Seus cabelo é "da hora",
Seu corpo é um violão,
Meu docinho de coco,
Tá me deixando louco.
Minha brasília amarela,
Tá de portas abertas,
Pra mode a gente se amar,
Pelados em Santos.
Pois você minha "Pitxula",
Me deixa legalzão,
Não me sinto sozinho,
Você é meu chuchuzinho!
Music is very good!
(Oxente ai, ai, ai!)
Mas comigo ela não quer se casar,
Na brasília amarela com roda gaúcha,
Ela não quer entrar.
Feijão com jabá,
A desgraçada não quer compartilhar.
Mas ela é linda, muito
mais do que linda,
Very, very beautiful!
Você me deixa doidão!!!
Meu docinho de coco!
Music is very porreta!
(Oxente Paraguai!)
Pro Paraguai ela não quis viajar,
Comprei um Reebok e uma calça Fiorucci,
Ela nào quer usar.
Eu não sei o que faço pra essa
mulher eu conquistar.
Porque ela é linda, muito
mais do que linda,
Very, very beautiful!
Você me deixa doidão!!!
Meu chuchuzinho!
Eu te ai love iuuuu!







O concerto de ontem dos Deolinda em Aveiro prova que a música portuguesa tem futuro, nomeadamente a música cantada em português, ao ponto de considerar que foi um concerto único de todos os que já assisti!

