Não estou contra a resolução recente dos professores. Tenho os professores como uma classe de grande responsabilidade, sujeita a uma instabilidade emocional elevada pela sua vida nómada, e por vezes com contrato mensais pouco dignos da sua vida pessoal e profissional. No entanto, um dos princípios base da minha existência é a justiça, e não compreendo as diferenças existentes entre as vozes dos enfermeiros e dos professores na comunicação social, as diferenças compensatórias entre a responsabilidade dos professores e dos enfermeiros (volto a frisar a imensa responsabilidade dos professores na educação dos portugueses, mas acrescento a maior responsabilidade no sector da saúde, entre a vida e a morte), e as diferenças salariais entre dois grupos licenciados, sendo que um desses grupos – a Enfermagem – ainda ganha como curso de Bacharelato. Para agravar ainda mais a situação, em vez de se aproximarem as tabelas salariais, de acordo com as negociações sindicais desde o tempo dos Afonsinhos, tiram-se aos enfermeiros e dá-se aos professores. Como se o governo fosse o Robin dos Bosques, e os enfermeiros os ricos. Nós, os ricos? Só se for de bravura!Bravo fiquei eu quando percebi as diferenças salariais actuais no início de algumas carreiras profissionais, entre as quais a Enfermagem. Segundo o documento seguinte, a actual remuneração de 1020 euros para os Enfermeiros passará a 995 euros, comparada com os 1518 euros dos Professores, 1626 euros dos Técnicos Superiores de Saúde (pasme-se!) e 2575 euros dos Médicos, entre outros. Não quero melhorar a minha condição através da desgraça dos outros - até porque admito com naturalidade a tabela salarial dos médicos, por exemplo - apenas peço justiça!
Poderia falar-vos outra vez do desemprego em enfermagem, da instabilidade contratual em que me encontro, do congelamento da carreira, dos escassos recursos humanos admitidos para a qualidade dos cuidados de enfermagem, entre outros problemas. Mas hoje insurjo-me perante as diferenças remuneratórias, confirmo a minha Greve para os dias 27, 28 e 29 de Janeiro, assumo a minha presença na Manifestação dos Enfermeiros em Lisboa no dia 29 de Janeiro e peço-vos para tornarem a blogosfera como a “nossa comunicação social” e deixarem algumas palavras sobre o actual momento da Enfermagem, caso algum dia tenham percebido a importância dos enfermeiros. Basta uma pequena frase, uma imagem, ou até mesmo o anúncio da greve desta semana, mas façam alguma coisa, porque a nossa vitória será também a vossa! Não tenham a mínima dúvida!Foi isso que o Sérgio Serra fez com grande mestria no magnífico texto que vos deixo de seguida:
“GREVE DOS ENFERMEIROS - Quem me conhece sabe que, por princípio, sou contra as greves laborais. Sendo um direito dos trabalhadores, inalienável, sabemos que muitas vezes é usado pelas centrais sindicais essencialmente como um instrumento de mobilização e de agitação laboral e, por isso, nem sempre pelos melhores princípios.
Grande parte das vezes temos a percepção que a utilização do instrumento "greve" serve na essência os propósitos da chamada esquerda comunista e da extrema-esquerda. Estou obviamente a referir-me aos chamados partidos de "contra-poder", que por vezes servem essencialmente para agitar de forma controlada as grandes massas de trabalhadores com propósitos única e exclusivamente políticos.
Dito isto, e como não há regra sem as boas excepções, não posso, desta vez, deixar de estar de acordo com a greve anunciada pelos Enfermeiros Portugueses. As razões para esta greve são múltiplas e nunca como agora estes profissionais de saúde tiveram tantas razões para se manifestar.
Sendo uma das profissões mais relevantes na prestação dos cuidados de saúde pela efectivação diária dos seus múltiplos e diferenciados desempenhos, em todas as instituições de saúde (e só quem necessitou alguma vez na sua vida de cuidados diferenciados de enfermagem consegue dar a devida relevância ao que acabei de afirmar), temos assistido ao longo da última década a uma tentativa progressiva mas intencional, por parte de variados governos no "Poder", para a diminuição do prestígio destes profissionais.
Sabendo que nos últimos anos os profissionais de enfermagem, em geral, foram capazes de fazer um enorme esforço de adaptação aos padrões de exigência de uma sociedade moderna, exigia-se por parte dos órgãos de poder mais consideração e atenção aos problemas desta relevante profissão.
Ninguém hoje duvida que uma das profissões que mais esforço fez nos últimos 15 anos para aumentar os seus níveis de formação académica e, consequentemente, aumentar as suas competências profissionais foram os enfermeiros. E, neste ponto, estou a falar particularmente dos 2º e 3º ciclos de estudos superiores. Não me refiro aos já vulgares níveis de Licenciatura ou chamados de 1º ciclo. Quem conhece os meios académicos sabe que é extremamente vulgar encontrar alunos licenciados em enfermagem nos chamados 2ª e 3º ciclos de estudos superiores. O que revela o profundo interesse destes profissionais na melhoria da sua formação científica e profissional.
No entanto, e apesar da descrição anterior, ao longo destes anos, o poder político em geral não foi capaz ou não quis reconhecer mérito a este grupo de profissionais. Para além destes, outros conhecidos grupos de pressão tudo fizeram para que, dentro e fora das instituições de saúde, a autonomia e o potencial de decisão aos profissionais de enfermagem fosse progressivamente diminuindo. Como exemplo basta lembramo-nos da lei de gestão hospitalar que alterou a presença destes profissionais nos Conselhos de Administração e em Órgãos de decisão.
Nada disto faz qualquer sentido e dificilmente se conseguem explicar estes acontecimentos, especialmente pelos problemas conhecidos e sempre presentes neste sector. Para quem não entende o que quero dizer basta dar um exemplo: avaliem o último indicador que referencia a dívida pública dos hospitais. Já alguém fez ou ousou fazer um estudo que permita avaliar o valor das perdas pelo não aproveitamento do conhecimento instalado destes profissionais nas organizações de saúde? Deixo a sugestão a todos.
Todos os dias ouvimos notáveis deste país a apelar, e bem, à necessidade de formação académica e profissional dos trabalhadores portugueses. Todos os dias os ouvimos falar sobre a importância do "know-how" para os trabalhadores e para as empresas. Sabemos a relevância do conhecimento para o sucesso das organizações e para a melhoria da competetividade do nosso país. Ninguém coloca hoje em dia estas ideias de lado e quase ninguém fala de outra matéria nos media.
No entanto, quando objectivamente se pode avaliar e verificar todo o esforço de uma profissão na melhoria da sua formação científica e profissional ao longo de mais de uma década, assistimos em sentido inverso a uma tentativa de "destruição" dessa mesma profissão. Digo "destruição" sem remorsos, dado que os envolvidos se sentem traídos no enorme esforço em tempo e dinheiro que fizeram ao longo dos anos, se sentem traídos na falta de reconhecimento profissional por parte dos órgãos de poder político (e não só), se sentem traídos pelo não reconhecimento da sua actividade dentro das instituições, se sentem traídos na natural necessidade de ambicionarem melhorar os seus padrões de vida e se sentem em muitos casos traídos pelos seus próprios pares.
Como se pode compreender que os enfermeiros portugueses sejam os únicos profissionais que não são remunerados de acordo com o seu nível académico? Alguém consegue responder a esta questão de forma lógica? E, sendo muitos deles Mestres e Doutorados nas melhores Universidades do País e em várias áreas da saúde, como se justifica não fazerem parte dos órgãos de decisão?
O preconceito histórico continua enraizado na cultura portuguesa face a esta profissão. As culturas institucionais de poder, por mero preconceito histórico, continuam de forma sustentada e intencional a querer subjugar estes profissionais sem se terem dado conta que tudo mudou e continuará a mudar à sua volta. Têm que conseguir destruir os seus "mitos" relativamente a esta profissão sob pena de ser continuar a perder uma importante base de trabalho no sector da saúde.
Em vez de procurarem considerar estes "players" como elementos úteis, capazes de fazer a diferença e funcionar como fortes aliados na definição de políticas de saúde mais eficientes e eficazes, estes mesmos órgãos de poder preferem, e em sentido radicalmente oposto, minimizar os elevados níveis de formação negligenciando de forma absurda tanta riqueza, que hoje a literatura define como "capital humano". Impensável numa sociedade que quer pertencer ao primeiro Mundo!
Infelizmente a proposta da actual Ministra da Saúde corrobora tudo o que acabei de escrever. Digamos que, perante o descrito, a proposta de Ana Jorge é, no mínimo, muito criticável. Razão pela qual, desta vez, estou do lado de quem tem todo o direito de se fazer ouvir perante tamanha afronta à dignidade e ao esforço destes profissionais.”
Sérgio Serra





A minha querida Sara do blogue Doce Sussurro acredita que o Natal é todos os dias e continua a distribuir sorrisos como se não houvesse amanhã. É isso miúda, continua!








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Por estranho que pareça, estou a cerca de três dias do grande evento do ano e estou…calmo!