quarta-feira, 25 de abril de 2007

25 de Abril: Revolução Desejada?


Não me compete a mim avaliar as mudanças que surgiram após 33 anos de democracia porque não tenho termo de comparação com o tempo de ditadura vivido antes da Revolução de Abril.

No entanto, posso congratular-me pelo facto de “O Sabor Da Palavra” existir pela liberdade de expressão proporcionada pelo 25 de Abril de 1974, a qual me permite expressar os meus sentimentos e ideias sem ser sujeito à intensa opressão e censura vivida no regime ditatorial, segundo retratam as crónicas.

Contudo, além da maior liberdade concedida pós-revolução, quais as consequências positivas para a sociedade portuguesa? A minha resposta é impregnada de alguma dificuldade e ignorância experimental, uma vez que apenas posso aferir do período democrático vivido actualmente, e este é marcado por enormes dificuldades.

Há umas semanas atrás, no programa “Grandes Portugueses”, sem surpresas Salazar foi eleito como o maior português de sempre, não que eu seja um confesso admirador Salazarista, mas pelo facto de ser um observador atento da sociedade e constatar que há cada vez mais anseios pelo regresso de um “Salazar”. Acredito que estas intenções de voto provaram a insatisfação popular perante a situação actual que a democracia não solucionou, deixando um país com indíces elevados de desemprego, assimetrias económicas e sociais, menor produtividade e economia deficitária.

Sendo assim, a perspectiva de uma nova revolução começa a pairar no ar, sob o risco de perdermos a independência que conquistámos a tanto custo devido a mais uma má gestão na História de Portugal. E desta vez a revolução deverá ter uma abrangência a todas as classes sociais e políticas, através de uma revolução de mentalidades que permitirá um rumo aceitável, unidireccionável e com o compromisso de todos. Desta vez a queda política poderá ser substituída pela queda de filosofias parasitas e comodistas perante um país em crescendo de desempregados insatisfeitos, desempregados acomodados e empregados improdutivos.

Em suma, acredito que a solução passará pela mentalização do esforço actual de redução de despesas e aumento da produtividade, que possa constribuir para uma maior riqueza nacional e uma linha orientadora segura para um futuro que desejo que seja prospéro.

Com críticas construtivas e esforços convergentes de cada um, a revolução poderá concretizar-se para o bem de todos e dependente de todos... Do que estás à espera?

terça-feira, 24 de abril de 2007

Cartaz da Queima das Fitas de Coimbra 2007


Sexta Feira, 4 de Maio
The Gift
Skye
Coral Quecofónico do Cifrão (Faculdade de Economia)

Sábado, 5 de Maio
Da Weasel
Rui Veloso

Domingo, 6 de Maio
MAU (Man And Unable)
Blasted Mechanism
Fan Farra

Segunda Feira, 7 de Maio
Linda Martini
Xutos & Pontapés
Estudantina

Terça Feira, 8 de Maio (Noite Pimba)
Diapasão
Quim Barreiros
Tunas Masculina e Feminina de Medicina

Quarta Feira, 9 de Maio
The Cynicals
Asher Lane
In Vino Veritas
Mondeguinas

Quinta Feira, 10 de Maio
Oioai
André Sardet
Orxestra Pitagórica
Grupo de Cordas

Sexta Feira, 11 de Maio
Vicious Five
Bloodhound Gang
Rags
As Fans

Preços dos bilhetes:
Geral (Noites do Parque): 42 euros
Geral (Noites do Parque, Garraiada e Chá Dançante): 50 euros
Geral (Noites do Parque, Garraiada, Chá Dançante e Baile): 65 euros
Pontuais (estudantes): entre 5 e 10 euros
Pontuais (não estudantes): entre os 10 e 16 euros


Um cartaz modesto na minha opinião porque apresenta poucas novidades artísticas nacionais, a única novidade é André Sardet, e não apresenta um artista/grupo internacional de topo.
Mesmo assim, há o regresso de Rui Veloso e Xutos e Pontapés que abrilhantam sempre as noites académicas em Coimbra, e a presença dos famosos internacionais Skye e Asher Lane.
Espero ir pelo menos numa das noites, mas aceitam-se convites para ir a mais...

Projecto Renovado


No último texto já tinha abordado a existência de novidades para breve em busca de um espaço mais cultural.
Por isso, decidi criar por enquanto três novas rúbricas de sugestões culturais: os grandes clássicos da música, as mais recentes músicas e as escolhas literárias.
No entanto, como o projecto é nosso acredito que sejam participativos na mudança, pretendendo aceitar as vossas sugestões para a escolhas dos títulos das novas rúbricas que posteriormente serão sujeitos a uma votação.
Obrigado pela vossa participação e sejam criativos...

quinta-feira, 19 de abril de 2007

Parabéns!!


Faz hoje um ano que iniciei a caminhada neste espaço virtual que me (re)acendeu a chama da escrita, tendo nessa altura formulado uma convicção que não se concretizou de todo.

Efectivamente, se olharem para o cabeçalho deste blog, percemos que é um espaço de índole cultural que, contudo, não tem existido da forma desejada. Para tal, e seguindo os conselhos construtivos de uma participante deste blog, acredito que a evolução cultural deste espaço será um crescimento pessoal tanto para os leitores atentos, como para mim que terei de gerir melhor os meus tempos, de forma a dar um passo em frente na cultura.

Desta forma, como estamos em tempo de comemoração, levanto um pouco a ponta do véu e assumo que pretendo instituir novas rúbricas nas áreas da música e da literatura. Em breve terão mais pormenores e serão mais participativos nestas novas ideias mas, enquanto isso, aguardo pelo lançamento de mais críticas construtivas que possam enriquecer um espaço de todos nós.

Em suma, o balanço que faço é positivo, mas como sou uma pessoa exigente comigo próprio e como me sinto ainda um “bebé” na escrita, desejo que o próximo ano aumente ainda mais o meu prazer pela escrita e que possa crescer pessoalmente com este espaço.
Obrigado a todos os seus participantes que depositaram a confiança e apoio necessários para que este projecto tenha sido uma pequena vitória de todos!!

sexta-feira, 13 de abril de 2007

Olhó Passarinho...


Pousar para as fotos nunca fui a actividade que mais me realizasse, ainda mais quando temos de pousar para aquelas fotografias pequeninas tipo passe para revalidação do B.I.
Pois é, hoje chegou o dia em que engoli um garfo para manter a postura na foto, coloquei aquele sorriso forçado como se a máquina fotográfica tivesse postado um autocolante de Mr. Bean em cuecas, e prometi não piscar o olho à fotógrafa enquanto o flash disparava.
Depois de mais um belo momento “Kodak”, ainda tive de pagar para ver a minha figurinha de parvo a sorrir que nem um lunático para uma máquina.
Se me permitem, nos próximos minutos vou-me rir um pouco à parva ao recordar-me deste momento, apenas um pouquinho:)

quarta-feira, 11 de abril de 2007

Blogosfera em crescimento


Um estudo desenvolvido pelo Observador Cetelem aponta para uma taxa de utilização da internet de 32%, com destaque para a região de Lisboa e Vale do Tejo com 40,9%, entre as classes sociais A/B e C1. Cerca de 20% dos inquiridos referiram a visita a blogues como uma das suas consultas preferidas na internet e uma das actividades em que despendem mais tempo.

«Um escape para a pressão diária do trabalho», diz Nuno. «Uma forma de escrever sobre mim em qualquer sítio, sem precisar de bloco ou caneta»,define Samir. São bloggers, que é como quem diz, têm um espaço na internet onde escrevem sobre a vida, onde espelham gostos pessoais ou analisam e criticam factos da actualidade.
O conceito de blogue não é recente, mas tem cada vez mais adeptos, como o provam os dados mais recentes sobre a utilização da internet. Centenas de novos blogues surgem todos os dias - só no Sapo.pt são criados mais de 400 blogues por dia - e, ao mesmo tempo que denotam uma maior consciência do dever cívico de participação na sociedade, levantam a questão da fiabilidade das informações divulgadas, bem como da determinação do sujeito sob o qual recai a responsabilidade das mesmas.
A título de exemplo, recordem-se casos como o 11 de Setembro e o 11 de Março, em que imagens captadas por vídeos amadores invadiram os blogues e deram um novo fôlego à blogomania, instaurando o cidadão anónimo no papel de cidadão-jornalista, com legitimidade para chamar a si um papel activo no panorama informativo. O fenómeno não parou de crescer, com uma percentagem significativa das notícias que vêm a público a nascer dos blogues e do teclado dos bloggers.
As figuras públicas não têm escapado à «febre» e são mesmo responsáveis por alguns dos blogues mais visitados da blogosfera. Pacheco Pereira, em abrupto.blogspot.com, e Nuno Markl, em havidaemmarkl.com, são dois dos recordistas de visitas no ranking nacional.”
Fonte: Jornal Destak (10/04/07)

Identifico-me no mundo da blogosfera pela liberdade de expressão digna de um país democrático, pelo prazeroso desenvolvimento da sociedade da informação e, mais pessoalmente, pela possibilidade de satisfazer em parte um dos meus desejos juvenis, o jornalismo.

Na altura, era um jovem com classificações suficientes às Línguas Portuguesa e Estrangeiras e, dada a minha paixão pelo futebol e pelas suas reportagens, sentia que poderia realizar-me no jornalismo desportivo se a minha expressão oral e escrita estivesse num patamar superior.

Enveredei por outra área profissional, da qual me orgulho, contudo ficou sempre o “bichinho” do jornalismo, tendo sido revigorado durante o curso de Enfermagem e, principalmente, a partir da criação de “O Sabor Da Palavra”.

Efectivamente, sinto que o prazer pela expressão escrita desenvolveu-se, e pretendo dar continuidade a este projecto, evoluindo nas minhas capacidades escritas e sendo o cidadão-jornalista que o texto supracitado refere.

Sem dúvida que a blogosfera tem tido um crescimento enorme, existindo tanto blogues temáticos como generalistas que possibilitam uma maior número de meios de comunicação, informação e partilha de ideias e/ou sentimentos, sendo a descredibilidade da informação um risco presente.

Desta forma, “O Sabor Da Palavra” traçou uma linha editorial com a marca da fiabilidade, apresentando rúbricas e textos de índole séria e bem disposta, pessoais ou noticiosos, e acompanhando sempre que possível a actualidade e as devidas citações, caso a situação assim o exija.

Um bem haja a todos os seus participantes!!

domingo, 8 de abril de 2007

Fresquinhas & Caricatas


“...o melhor remédio contra as gravidezes indesejadas era a masturbação feminina.”

“...se for eleito a paridade no Governo entre homens e mulheres será extinta.”

Fonte: Jornal Expresso (07/04/07)
Mais informações em:
http://expresso.clix.pt/Actualidade/Interior.aspx?content_id=385027


Chama-se Jean Marie Le Pen, é líder da extrema-direita francesa e de uma assentada encontrou a solução para as gravidezes indesejadas, banalizou a questão da interrupção voluntária da gravidez, e ainda ignorou os direitos da mulher. Este homem é candidato à Presidência de França!

Não consigo comentar mais estas palavras. Porque será?

sábado, 7 de abril de 2007

Páscoa: início de um novo ciclo.


Confesso que esta época do ano não é das minhas preferidas, sem dúvida que o Natal traduz a época mais entusiasmante do ano, na minha opinião.

No entanto, apesar de não sentir uma congregação de esforços e união tão forte como na época Natalícia, retiro desta festa litúrgica a mensagem de renovação da esperança após uma fase de sacrifício, iniciando-se desta forma um novo ciclo de prosperidade.

Assim, como costumo dizer, a vida é feita por um caminho de montanhas e vales, e a época da Quaresma simboliza as caminhadas pelos vales da vida cobertos de desafios, riscos e adversidades, enquanto a época que se inicia representa a desejada montanha, em que o seu cume apresenta o tesouro da felicidade. Quando estamos no vale, procuremos aproveitar as dádivas que possuimos, como por exemplo a presença da corrente renovadora do rio, sem ansiar impacientemente pelo que não temos, e quando atingirmos o cume da montanha, procuremos mantermo-nos lá o máximo tempo.

Seja como for, o mais importante, tanto no vale como na montanha, é acreditar que cada momento existe com um propósito de Deus, apenas será necessário dominar esse momento, racionalizando-o e atribuindo-lhe um sentido para o crescimento pessoal e humano. Dessa forma, viveremos com maior prazer e com a consciência da evolução e do Bem a nós e aos outros, cumprindo a correspondente missão de vida.

Os meus desejos de uma Feliz Páscoa para todos, esperando que o cume da montanha seja uma realidade próxima ou efectiva em breve nas nossas vidas.

quinta-feira, 5 de abril de 2007

Desafios num Dia de Quaresma


Tinha prometido a mim mesmo ontem à noite que hoje acordaria cedo e que iria logo de manhã confessar-me.

O despertador tocou às 9h30m mas o estado de sonolência era tão agradável que deixei-me estar até cerca das 10h15m, altura em que me levantei apressado, comi qualquer coisa e pus-me a caminho da Igreja Santa Cruz, um dos belos monumentos conimbricences.

Ainda tive de deixar o carro longe da Igreja e, qual maluco com pernas altas, pus-me num tirinho na Praça 8 de Maio, local da Igreja e da Câmara Municipal de Coimbra. Mesmo cheio de pressa fui solicitado por uma senhora que me pareceu de nacionalidade espanhola e que, com o seu “portunhol”, mostrou-me que estava com dificuldades para ligar à sua sobrinha. Na altura faltavam cerca de 5 minutos para o final do tempo de confissões, segundo informações na noite anterior da minha mãe, e fiquei indeciso entre a solidariedade e o dever que tinha com Deus. Optei pela solidariedade, acreditando que este também seria um dever Divino, procurando ligar para os contactos que a senhora tinha na agenda, mas sem sucesso. Chamei um senhor que passava na altura para saber se o seu telemóvel conseguiria ligar para os números pretendidos, sem surtir efeito de novo. Ficámos em momentos de indecisão em que teríamos de continuar o nosso caminho mas não poderíamos deixar uma senhora desgostosa, emocionada, sozinha e com duas grandes malas de viagem na mão no meio da multidão da Baixa de Coimbra.

No entanto, já a senhora agradecia-nos a nossa ajuda, denotando algum desespero, quando o seu telemóvel toca e felizmente era a sobrinha. De um momento para o outro a expressão facial da senhora mudou para melhor, reconhecendo-nos sentidamente com dois beijinhos de gratidão.

De seguida, entrei na Igreja e constatei que as confissões na Quinta-Feira Santa seriam em horários diferentes, estando marcados para a tarde. Naquele momento, percebi que o momento anterior poderia ter sido um momento da “Graça de Deus”, em que fui colocado à prova entre o pecado e a solidariedade, numa altura em que iria confessar os meus pecados.

À tarde, depois de escrever o texto anterior sobre “Urgências/Emergências”, deparei-me, precisamente no mesmo local, com uma roda feita por pessoas envolvendo um senhor deitado no chão. Na altura pensei que poderia ser uma vítima de paragem cardíaca em que as pessoas em redor apenas conseguiriam exercer naturalmente o seu papel de mirones, mantendo-se passivas a observar o sucedido. Comecei a observar movimentos do senhor e, de imediato, explicaram-me que era uma situação habitual de embriaguez. Pouco depois, entrava na Igreja, ocupava o meu lugar na fila, para, finalmente, surgir o momento...da confissão.

Após isto, apenas me apraz dizer: “Nada acontece por acaso, tudo é obra de Deus”.

Um extintor, um desfibrilhador...


“O Instituto Nacional de Cardiologia Preventiva e uma associação de médicos, enfermeiros e bombeiros querem que sejam instalados desfibrilhadores automáticos externos (DAE) em espaços públicos de grande concentração de pessoas. Os aparelhos custam entre 1600 e 3000 euros e permitem reverter as paragens cardíacas. Em Portugal, recorde-se, morrem vinte pessoas por dia, vítimas de morte súbita. Noventa por cento das 7300 mortes anuais são originadas por enfartes.” (Correio da Manhã, 02/04/07)

Mais informações em:

Há umas semanas atrás tive a oportunidade de realizar um curso de Suporte Básico de Vida, Prática com Desfibrilhador Automático Externo (DAE) e Colaboração no Suporte Avançado de Vida e apercebi-me de uma realidade que desconhecia.

Efectivamente, além de não estar habilitado para a prática com DAE, apercebi-me simultaneamente da escassez de desfibrilhadores em Portugal, sendo este um dos elos da cadeia de sobrevivência que, por falta de recursos, pode ficar interrompida ou provocar danos irreversíveis à vida humana.

Desta forma, a medida pretende aumentar o número e a acessibilidade de desfibrilhadores em locais públicos, devendo existir um extintor para cada desfibrilhador que, a ser concretizada, permitirá reverter um maior número de paragens cardíacas e, por consequência, a salvação de um maior número de vidas.

No entanto, a questão de fundo terá também de ser resolvida, porque acredito que estas medidas serão supérfluas se não existir formação adequada e contínua ao cidadão comum, tanto no Suporte Básico de Vida como na Prática de DAE, de forma a responder às necessidades de urgência/emergência com conhecimento e segurança. Por uma formação efectiva e eficiente, deveria iniciar-se nos primeiros anos de escolaridade, talvez no 2º ciclo, e serem proporcionadas renovações regulares de conhecimentos, dada a necessidade de aliar a teoria à prática, para uma facilitada transição para a vida real.

Para terminar lanço a discussão com a seguinte pergunta: O que fariam com uma vítima de paragem cardíaca?

segunda-feira, 2 de abril de 2007

A Verdade


Para quem acreditou no texto anterior recomendo uma consulta ao calendário para saberem que era dia 1 de Abril, dia das mentiras.
Para quem percebeu que dia era, apenas vos digo: “Eh pá, podiam ter sido mais ingénuos para fazerem o jeitinho ao menino;)”
Pois é, a verdade é que vão continuar a aturar-me:)

domingo, 1 de abril de 2007

Decisão Inevitável


Depois de reflectir sobre os últimos meses da minha vida decidi colocar um ponto final neste espaço virtual.

Foram meses marcados pelo vazio pessoal e profissional, principalmente pelo facto de estar desempregado e desse facto ocasionar uma menor riqueza à minha vida pessoal. Durante este período, este blog ressentiu-se pela menor criatividade e riqueza de ideias, além de se estar a tornar num espaço irregular com textos esporádicos. Também a blogosfera da amizade tem notado a minha fraca participação, deixando muitos textos sem comentários a curto prazo, ainda ontem comentei um espaço que não comentava há imenso tempo e ainda falta comentar muitos outros. Não tenho conseguido gerir o tempo que preciso para conciliar os deveres pessoais (entre os quais o dever da amizade) e profissionais. Ainda ontem tentei inovar colocando um novo vídeo “Kubb – Grow”, no entanto, passado mais de uma hora não o consegui fazer, por falta de códigos para este vídeo.

Sendo assim, tomando esta medida, julgo que conseguirei ter mais tempo para a procura de emprego e posterior exercício profissional, passarei a dedicar mais tempo à formação pessoal e profissional, conseguirei acompanhar e participar nos espaços virtuais dos meus amigos mais facilmente e, desta forma, as minhas mensagens também serão transmitidas. Até porque já ouvi dizer que alguns dos meus comentários parecem autênticos textos.

Não gosto de despedidas, nem de finais, obrigado por todos aqueles que participaram no meu blog e espero que me compreendam porque este será o ponto de partida para uma nova fase e, estando assim mais perto dos meus amigos, despeço-me com um “Até Já”...

quarta-feira, 28 de março de 2007

Obras em Casa


Ora aqui está o belo trabalho dos pedreiros na minha casa...
Proporcionam-me o “Serviço Despertar” ao som do martelo e do berbequim às 8 horas em ponto, partem-me a casa toda e no final do dia ainda têm o desplante de se despedirem, com um sorriso nos lábios, dizendo “Até amanhã”.
Perante tais resultados, só me apetece responder dizendo “Continuação do bom trabalho”.

P.S.: Oh papá, se era para destruir a casa dizias-me que eu fazia-te de borla;)

segunda-feira, 26 de março de 2007

Desemprego em Enfermagem: uma bomba silenciosa.


O desemprego é actualmente um dos maiores flagelos em Portugal, sendo transversal a diferentes áreas profissionais mas, mais recentemente, à enfermagem.

Efectivamente, tenho sentido que os portugueses têm uma opinião favorável à situação profissional dos enfermeiros portugueses, referindo que a enfermagem possibilita diversas saídas profissionais, ainda denotando a ilusão que também apresentava no ingresso do curso. Mas a situação inverteu-se, pois aquilo que era uma realidade há cerca de quatro anos atrás, é um miragem que se tornou em pesadelo para os milhares de enfermeiros que se licenciaram no ano lectivo 2005/2006 que, tal como eu, vivem situações de desemprego incapacitante ou emprego instável.

Passados 16 anos dos meus 23 anos de vida actuais dedicados à formação literária e profissional, deparo-me com uma situação de oito meses de desemprego, registados precisamente hoje. Durante este período de tempo, disponibilizei os meus serviços profissionais para diversas instituições de saúde em Portugal e candidatei-me a uma série de concursos para reserva de recrutamento que se arrastaram no tempo e sem oferecerem garantias de admissão a curto-médio prazos, tanto para mim, como para os inúmeros candidatos que se acumulavam nas filas de espera de entrega de candidaturas. Cheguei a escrever um artigo no “Jornal de Enfermagem” três meses depois do final do curso para uma maior sensibilização por parte das entidades competentes, no entanto, julgo não ter surtido o efeito desejado.

Além disso, tentando aliar a procura incessante de emprego com a formação contínua, consegui rentabilizar o imenso tempo disponível em áreas temáticas que me oferecessem alguma utilidade e contributos pessoais e profissionais, numa tentativa de libertação do vazio interior típico do papel de desempregado.

Consegui também aperceber-me dos sinais dos novos tempos, compreendendo a crescente importância e delegação de competências no sector privado da saúde em Portugal, dirigindo-me pessoalmente às respectivas instituições da minha área de residência, sendo o meu esforço “recompensado” por respostas negativas às minhas solicitações. A experiência profissional tão desejada por mim constituiu nestes momentos um pré-requisito do qual não dispunha e que, com respostas similares, não a conseguiria tão depressa como pretendido.

Também me dirigi pessoalmente à região de Lisboa, a cerca de 200 km da minha casa em Coimbra, ao aperceber-me que as oportunidades nesta região seriam maiores. Contudo, verifiquei que a falta de enfermeiros nos serviços é acompanhada pela excessiva morosidade nos processos de autorização de ingresso de novos enfermeiros nos serviços de saúde, por parte das Administrações Regionais de Saúde.

Mais recentemente, após a minha inscrição no Centro de Emprego, a minha dignidade bateu quase no fundo e enviei um pedido para um estágio profissional não remunerado num dos Hospitais de Coimbra, reconhecendo que seria um acto injusto e provocatório para a enfermagem. Injusto, porque 16 anos de dedicação na minha vida não perspectivaram um ingresso profissional nestas condições, e provocatório para a enfermagem, porque seria um motivo de arrastamento deste problema em vez de ser mais uma solução, no entanto o desejo de adquirir experiência profissional e de (re)adquirir competências em enfermagem falaram mais alto. Surpreendentemente, este pedido não foi aceite por uma questão de reorganização de princípios institucionais, deixando-me ainda mais desgostoso pelas situações de empregabilidade dos enfermeiros portugueses. Mal vai o país que não protege novos licenciados, nem de graça...

Sendo assim, continuando a assistir ao fecho de serviços de saúde como as Urgências e as Maternidades, à crescente transformação dos Hospitais Públicos para Entidades Públicas Empresariais (E.P.E.) tendo em consideração os lucros económicos, à significativa diminuição de admissões de novos licenciados em enfermagem nas instituições de saúde, à existência de contratos precários na enfermagem e à continuação do ingresso de milhares de pessoas neste curso, pergunto: O que estamos à espera para inverter esta situação? Esta mensagem é um dos meus contributos actuais e, como eu, há milhares de enfermeiros que aguardam pela explosão da bomba do desemprego em enfermagem nos meses de Junho e Julho, aquando da certificação da maioria de novos enfermeiros. Sem soluções profissionais para os licenciados de 2005/2006, acredito que muito poucos serão os novos licenciados de 2006/2007 empregados a curto prazo. Com a consciência desta situação, menores serão os candidatos a enfermagem, piores serão as condições dos assistentes docentes nas escolas de enfermagem e a extinção da enfermagem pode começar aqui.

Fico a aguardar por uma reacção mobilizadora por parte da Ordem dos Enfermeiros e do Sindicato dos Enfermeiros Portugueses, continuando a insistir na procura da minha oportunidade profissional e na defesa dos direitos dos meus colegas.

segunda-feira, 19 de março de 2007

Carta para o meu pai


Os desabafos sentimentais são uma das provas da frontalidade, verdade e abertura humana e como prova disso deixo em baixo o desabafo revelador do amor que sinto pelo meu pai. Mesmo sendo um desabafo íntimo exposto num espaço público, nunca é demais nem inconveniente dizer que gostamos de alguém...

"Papá:

Já percebemos que o ser humano é marcado pela sua individualidade e que há pessoas que têm mais diferenças que outras, sendo natural que pai e filho também reflictam essas diferenças.


De facto, temos algumas características diferentes e acredito que, por vezes, sou incompreensivo e injusto contigo. A verdade é que podemos analisar os defeitos alheios com maior naturalidade e espaço para a sua correcção, e eu tenho sido possivelmente demasiado intolerante com os teus defeitos e não valorizo as qualidades que possuis.


Desta forma, recordo-me do aconchego que fazias à roupa da cama quando ia dormir, das horas de espera que suportavas à porta da escola ou da explicação, das consolas de jogos que me oferecias só para me veres feliz, das partidas de Damas que jogávamos e que dificilmente ganhava, das caminhadas que partilhávamos à beira-mar, do bem-estar que me proporcionavas e proporcionas...


Mais recentemente, recordo-me da paciência que tens comigo na fase de desempregado em que me encontro, das brincadeiras que temos em família, principalmente com a mamã, do carinho que manifestas para a Bia lembrando-me dos meus tempos de criança e, sem dúvida, das brincadeiras que tenho contigo, soltando o meu lado bem disposto (e quiçá de criança) e encavalitando-me em ti, deixando-te coberto de beijos e abraços. A tua reacção exterior é reservada, no entanto acredito que sentes um calor interior muito agradável que a minha proximidade e sensibilidade pode verificar, conseguindo sentir um coração mole, inseguro mas muito feliz com a presença dos filhos que ama.


Muito obrigado por seres assim, obrigado por seres meu pai, obrigado por alimentares a alegria da minha vida e proporcionares a estabilidade e felicidade no seio familiar e caso não te lembres, hoje é o teu dia e tal como nos outros dias quero dizer-te que “Gosto Muito de Ti”, acompanhado por um beijo de admiração na testa e um abraço de conforto para ambos. Obrigado Papá...

Gonçalo"

domingo, 18 de março de 2007

O orgulho de ser sportinguista



Ser sportinguista é ser diferente, é ter esforço, dedicação, devoção e glória e acreditar que, com trabalho e humildade, a juventude pode representar a maturidade e oferecer grandes alegrias aos seus adeptos. Ontem foi mais uma delas:

F.C. Porto – 0 Sporting – 1 Mai Nada:)

sexta-feira, 9 de março de 2007

Fresquinhas & Caricatas

Fonte: aqualandpetsplus.com

"Iguana sem pénis vai ser pai de 160"
“O iguana Mozart, que há um mês comoveu a comunidade internacional depois de ter parte do pénis amputado por causa de uma erecção permanente, vai ser pai. O jardim zoológico onde vive informou que as fêmeas Truus, Pepita, Bianca e Johnny estão grávidas. Trus, por exemplo, já depositou 46 ovos. Agora, sem pénis, resta a Mozart acalmar os seus instintos primitivos e, como futuro pai, passar os dias “lagarteando” pelo zoo. Segundo os tratadores do aquário de Antuérpia, na Bélgica, onde Mozart mora, engravidar quatro companheiras ao mesmo tempo é um facto raro (pelo menos entre iguanas).”
(Fonte: Jornal “24 Horas” 09/03/07)

Fonte próxima d’ “O Sabor Da Palavra” esteve lá, acompanhou de perto a Operação “Descanso do Guerreiro” e assistiu a uma manifestação à porta de iguanas desesperadas dizendo: “Ó Sô Doutor, tire-lhe a dor mas não lhe tire o inchaço”. No final, ainda soubemos que engravidar quatro companheiras ao mesmo tempo também é um facto raro no ser humano.

Sugestão de (Re)Leitura


“(...)Esta sua nova história reúne um homem e uma mulher cujas vidas tinham aparentemente sem sentido, após dolorosas perdas sentimentais. Theresa, divorciada e mãe de um adolescente, é colaboradora de um jornal onde escreve sobre relações entre pais e filhos. Garrett é professor de mergulho e vive na orla costeira, onde possui um magnífico veleiro restaurado por ele e pela falecida mulher. Aquilo que vai fazer com que as suas vidas se cruzem e lhes dará um novo, inesperado, sentido é uma série de mensagens que ele lança ao mar em garrafas seladas. Cartas pungentes de amor e saudade... Durante umas férias passadas à beira-mar, Theresa virá um dia a encontrar uma dessas garrafas. Obcecada pela estranheza do achado, começa uma busca que a levará a tentar descobrir a verdade acerca de um homem e das suas memórias. Um romance empolgante, emocionalmente intenso, que trata com grande delicadeza a força e a fragilidade das grandes paixões.”
(Contracapa do Livro “As Palavras Que Nunca Te Direi”)


Uma história que merece o facto de ser um best-seller e a menção pelos seus leitores, tal como faço neste momento.

Independentemente de já terem assistido ao filme ou lido esta obra, aconselho-vos a ler ou reler esta história intemporal como o amor, uma história que me transportou para a realidade em diversas situações. Desta forma, recordei-me das dificuldades sentidas nas relações à distância, de amores reais que tive e tenho o prazer de acompanhar, do amor perdido por uma amiga minha e, após um final inesperado e deveras emocionante, o retrato de uma lição de vida e de amor.

“As Palavras Que Nunca Te Direi” são palavras reveladas se a expressão acompanhar o coração, o perdão terá de ser uma realidade constante na vida humana e o amor será a felicidade da pessoa amada, mesmo que esse amor seja transportado para outro coração.

Um romance envolvente e intenso indicado para quem ama ou deseja amar, representando as asas para a experiência de um grande amor e um investimento duradouro na biblioteca caseira. Espero que gostem tanto ou mais do que eu gostei.

quinta-feira, 8 de março de 2007

Dia da Mulher: o justo reconhecimento.


Um dia um professor virou-se para o meu grupo de estudo e afirmou que as mulheres são muito sacrificadas perante os “selvagens dos homens”, tendo reflectido e compreendido a intenção das suas palavras.

De facto, dizem que as mulheres são o sexo fraco, contudo, o que dizer das pessoas que começam a sua adolescência por terem dores menstruais/monstruais, passam 9 meses das suas vidas com o(s) filho(s) no ventre, muitas vezes em condições desgastantes, sofrem sufocantemente nos períodos de dilatação e expulsão no parto e, no momento em que acreditam que a família será uma estrutura de apoio e de bem-estar, ainda têm de regressar a casa vindas do trabalho para suportar a família nas tarefas domésticas? No mínimo, é uma questão de justiça reconhecer o grande valor que as mulheres têm na vida humana, pois contribuem como factor determinante para a sua génese, crescimento e desenvolvimento.

Assim, como por detrás de uma grande mulher, há sempre um grande homem e vice-versa, os homens terão de elevar-se ao nível das mulheres e constituírem um complemento justo da natureza feminina, dissipando o machismo e egoísmo.

Acredito que cada homem moderno já aderiu ou está em vias de aderir a esta nova filosofia relacional, ignorando as tradições seculares e preconceitos sociais, e constituindo um elemento de igual valia e disponibilidade para a partilha de tarefas e decisões. Com esta nova mentalidade, o sexo masculino tornar-se-á mais justo, o sexo feminino reforçará os seus laços sentimentais com maior disponibilidade, e os “selvagens dos homens” serão a excepção à regra.

Em suma, no dia da mulher, dedico este texto a todas as mulheres que marcam e marcarão um traço especial na minha vida, em especial à minha mãe, agradecendo-lhes a sua existência e desejando-lhes as merecidas felicidades.

quarta-feira, 7 de março de 2007

Colóquio sobre Futebol “À Conversa Com...”


Fui informado acerca de um mês que se iria realizar este colóquio sobre futebol no Colégio de Quiaios tendo como prelectores dois jovens senhores do futebol português, Mister Paulo Bento e Mister João Carlos Pereira.
Na altura não me lembrei que coincidiria com o dia do jogo da 2ª mão da Liga dos Campeões que opunha, entre outros, as equipas do Chelsea e do Futebol Clube do Porto. No entanto, na vida há momentos em que se devem estabelecer prioridades e a minha prioridade ontem passou pela grande oportunidade de marcar presença num colóquio sobre futebol.
Este encontro estava marcado para as 20h30m, no entanto, apenas começou uma hora mais tarde, uma vez que o Mister Paulo Bento tinha tido uns problemas na sua viatura na viagem para Quiaios. Más-línguas (inclusive a minha;)) não perderam tempo para associar este atraso ao jogo Chelsea-FC Porto a decorrer na mesma altura.
Após um pedido de desculpas da organização, o colóquio começou sendo explicado que seria repartido por três temáticas (modelo e sistema de jogo; transições de jogo; preparação de um jogo) e entre cada uma delas existiria um espaço de tempo para debate e colocação de questões aos prelectores.


Modelo e Sistema de Jogo

Relativamente a este tema, Paulo Bento referiu que “não há apenas um modelo de jogo para cada treinador” e que este depende de vários factores como a cultura do clube, os objectivos do clube, as ideias do treinador e os jogadores que tem à disposição. Acrescentou que o modelo de jogo consiste na forma como a equipa actua nos 4 momentos de jogo: processo ofensivo, processo defensivo, transição defesa-ataque e transição ataque-defesa, sendo depois de definido, treinado numa vertente teórica e prática.
Quanto ao sistema de jogo, referiu que pessoalmente não tem preferência por nenhum, tendo actuado em 4-3-3 nos juniores do Sporting, em 4-4-2 losango como sistema habitual no futebol profissional do Sporting, e 3-5-2 ou 3-4-1-2 como sistema alternativo. Justificou estas opções por acreditar que “quem deve mandar no sistema e modelo de jogo são os jogadores”, dando mais importância à dinâmica implementada no sistema e modelo de jogo.
Por sua vez, João Carlos Pereira não acrescentou muito mais, reforçando que a definição do modelo de jogo deve considerar a cultura do clube, os objectivos e ambições do clube, as estruturas de apoio, exigindo uma definição das regras de funcionamento, a criação de um modelo de treino e clarificação das funções de cada elemento técnico.
Referiu ter trabalhado em diversos sistemas de jogo como o 3-5-2, 3-4-3, 4-4-2 e 4-3-3, sendo este último o seu preferido apesar de realçar a importância da dinâmica para cada sistema de jogo. Para finalizar este tema, declarou que não é um grande adepto de encaixar o seu sistema no do adversário, mas que às vezes faz sentido, necessitando de ter sempre um plano B.

“Num sistema de jogo privilegia-se o momento ofensivo ou defensivo?”
P.B.: Pensa-se no modelo de jogo para as duas situações. É importante conhecer os jogadores pois, por exemplo, com 4 avançados no plantel não é natural actuar em 4-3-3 ficando três avançados de fora cada jogo, sendo necessário retirar o maior rendimento de cada jogador.

“Quais as características dos médios-interiores no seu sistema de jogo?”
P.B.: Sem dúvida que o jogador mais ofensivo é o 4º elemento do meio-campo, tendo sido já utilizados vários jogadores como médios-interiores porque os adversários também são diferentes, podendo os jogadores pelas suas características diferentes adaptar-se à mesma posição consoante esse adversário. Há jogadores que tem maior capacidade ofensiva nessa posição como é o caso do Nani, e outros que tem mais capacidade defensiva como é o caso do Paredes. Por exemplo, com o Paredes permite-se um maior equilíbrio defensivo com a saída dos laterais. Quanto às características destes jogadores, necessitam de chegar à área adversária, dar largura à equipa, ter capacidade técnica e ter uma boa meia-distância.

“Quais as zonas de pressão? Como se adaptaria se actuasse em 4-3-3 e o seu adversário em 4-4-2 losango?”
P.B.: Primeiro que tudo temos de definir as zonas onde se quer pressionar e onde não se quer pressionar. Perdendo a bola até à linha de meio-campo há quase 100% segurança e é importante que nessa zona de perda não haja risco, e estarmos preparados para reagir o mais rápido possível. A jogar em 4-3-3 contra 4-4-2 losango, subia um dos laterais e baixava um dos extremos do lado contrário, é a tal adaptação ao adversário neste caso em termos defensivos.


Transição defesa-ataque e ataque-defesa

Para João Carlos Pereira, o fundamental é o equilíbrio da equipa, devendo existir uma grande eficácia no momento em que se perde a posse de bola e, recuperando a mesma, sair com eficácia, rapidez e aproveitando as debilidades do adversário.
Paulo Bento reforçou a palavra “equilíbrio” como sendo uma palavra fundamental nestes momentos de jogo. Na transição defesa-ataque, deve-se aproveitar a desorganização do adversário tentando não perder o equilíbrio, podendo ser feita esta transição de duas maneiras: ataque rápido ou contra-ataque; posse de bola, quando não é possível ataque rápido de forma a manter os equilíbrios. Por sua vez, na transição ataque-defesa, deve-se recuperar a bola rapidamente, retardar a circulação de bola do adversário ou, em último caso, a defesa em linhas mais baixas. Concluiu dizendo que depende sobretudo dos jogadores à disposição, porque se “tenho jogadores muito rápidos não preciso de ganhar a bola tão rapidamente e retardo assim a circulação ao adversário. No entanto, se tenho jogadores com capacidade técnica e que jogam bem em espaços reduzidos, faço a pressão mais alta.”
Nesta altura, João Carlos Pereira recordou um recente jogo de pré-temporada Benfica-Juventus, em que a Juventus aniquilou o sistema adversário através da pressão zonal, referindo que a Juve pressionava de forma a que os centrais do Benfica tivessem as linhas de passe fechadas e apenas pudessem jogar entre si até que perdessem a bola num passe longo, de forma a manter a segurança defensiva. Aludiu também ao facto do Arsenal actuar com uma pressão zonal semelhante e reconheceu o grande mérito do Barcelona em actuar assim, aliando a grande qualidade na posse de bola devido à qualidade técnica dos seus jogadores.

“Que tipo de transição defesa-ataque o Sporting actua preferencialmente?”
P.B.: O fundamental é a chegada à baliza advsersária o mais rapidamente possível, e o Sporting não joga em contra-ataque porque tem poucos jogadores com essas características, usa prefrencialmente a pressão alta. No entanto, no jogo em Leiria com 10 jogadores, fomos à procura de transições mais rápidas baixando e juntando as linhas, não podendo fazer pressão alta.
J.C.P. A equipa tem de definir momentos de pressão e zonas de pressão. Não há equipa nenhuma que actue sempre em ataque continuado porque depende dos momentos do jogo, podem existir situações prementes de contra-ataque, sendo que a pressão numa zona fora da zona de pressão pode ser despoletada por três situações de jogo: mau domínio de bola, passe atrasado e jogada lateral.


Preparação de um jogo

João Carlos Pereira comparou a preparação de um jogo com o corte da barba, “ podem existir várias maneiras de cortar a barba, pode-se cortar primeiro do lado direito ou do lado esquerdo, mas, tal como a preparação do jogo, qualquer das maneiras está correcta”. Depois de referir que começava a preparação do jogo na Segunda-Feira de manhã para analisar o advsersário e que dava folga na Terça-Feira, deu aquilo a que eu chamo a gaffe da noite. Assumiu em público que alterou o modelo de jogo, que tinha sido preparado durante a semana antes de um jogo contra o Sporting, durante o aquecimento da equipa. Sendo eu um mero observador atento do futebol e acompanhante de uma equipa de júniores de futebol, acredito que esta mudança numa altura de grande concentração para a equipa poderá ser um motivo de desorientação e suicídio para a mesma.
Pelo contrário, Paulo Bento referiu que habitualmente dava folga na Segunda-Feira e que iniciava a preparação ao jogo nas Terças-Feiras, aplicando exercícios para a forma de jogar da sua equipa e do seu adversario, fazendo uma abordagem ao jogo pelo conhecimento do adversário e do seu posicionamento nos diferentes momentos do jogo. Em situações de muitos jogos, trabalha mais os aspectos defensivos e de posicionamento para anular o adversário, uma vez que os aspectos ofensivos exigem ter bola e um trabalho mais prático. Costuma anunciar a equipa no dia do jogo e nunca na véspera e referiu ainda que o trabalho do treinador é até ao jogo (principalmente) e no intervalo do jogo, uma vez que é difícil passar a mensagem durante o mesmo, porque os gritos do treinador não são ouvidos e as mensagens que se possam dar a um jogador para transmitirem à equipa sofrem variadas interferências pelo meio.

"Costuma preparar intensamente os lances de bola parada durante a semana?"
P.B.: O que é para si preparar intensamente?(risos da assistência) Há duas maneiras de preparar um jogo, através de um trabalho analítico/específico ou segundo uma situação de jogo, sendo esta a minha preferida. Na situação analítica coloca-se uma estrutura defensiva e outra ofensiva para um trabalho mais específico mas a receptividade dos jogadores é menor, há uma maior desmotivação e não há nenhum treino que se apresente perto da realidade do jogo. Penso que foi Benítez que disse que tinha ganho a Champions por grandes penalidades mas sem as preparar no último treino antes da final, porque as situações são diferentes, nomeadamente a pressão do público.

“Digo isto porque nos últimos jogos o Sporting teve inúmeros cantos sem marcar um único golo...”
P.B.: Também tivemos jogos com a Naval, Marítimo e Estrela da Amadora em que decidimos os jogos através de bolas paradas e na altura fomos criticados por marcarmos golos apenas desta forma, no fundo há situações em que treinando-se de forma semelhante os lances saem com mais ou menos frequência, mas claro que devemos estar atentos.

“Trabalha para a equipa considerando os picos de forma dos seus jogadores?”
J.C.P.: Antigamente começava-se a preparar um jogo grande 15 dias antes, dando uma tareia física aos jogadores para que chegassem ao jogo grande numa forma física considerável. No entanto, esquecia-se que entre esses 15 dias existiam outros jogos importantes em que a equipa surgia mais lenta e adormecida, sendo criticada nessas alturas pela quebra física dos seus jogadores. Com os estudos que tem sido feitos, acredito que o futebol deve ser encarado como uma prova de regularidade e não devemos trabalhar para ter picos de forma.

“Não seria preferível adoptar uma posição mais distante durante o jogo, trocando o banco pela bancada na visualização do jogo?”
P.B.: Nunca tive a oportunidade de assistir a um jogo da bancada mas sinto-me bem no banco, é na minha opinião o melhor sítio para ver o jogo, porque na bancada vivemos o jogo de forma emocional e no banco a atitude exige mais racionalidade. Quem grita muito do banco é sinal que não preparou bem o jogo e não é esta a minha forma de actuar.
J.C.P.: Quem não tem domínio emocional não pode ser treinador, os jogadores fazem muito dentro do campo aquilo que somos cá fora e, por isso, devemos adoptar um comportamento que a equipa necessite, acreditar para a equipa acreditar também, e dar um grito ou dar um pontapé no banco se for preciso para a equipa acordar.

Jornalista da RDP: “Não seria benéfico para a preparação da equipa ter treinos à porta aberta de forma a simular melhor as situações de jogo e a pressão do público?”
P.B.: Se eu estiver no deserto consigo, não vamos dar água um ao outro (risada geral do público)...Seria uma vantagem ter o público presente para aumentar o rendimento dos jogadores simulando situações de pressão do jogo, no entanto não posso oferecer os trunfos ao adversário e, com treinos à porta aberta, a informação seria passada cá para fora podendo colocar em causa o trabalho de uma semana.

“Como motiva os jogadores não convocados?”
P.B.:A questão da motivação é muito importante, posso dizer que no primeiro treino após o jogo, estou a assistir ao treino dos não convocados.

“Falando do futebol de formação, não seria vantajoso a existência de equipas B para fazer a transição adequada para o futebol profissional?”
P.B.: É uma ideia, no entanto pode-se formar jogadores para a equipa principal sem equipa B, podendo-se fazer isso apoiando-se no 2º ano de júniores ou emprestar jogadores a outras equipas como ponte para a equipa principal do Sporting. Moutinho surgiu da equipa de júniores, Miguel Veloso e Yannick tiveram uma passagem pela segunda divisão B, e Pereirinha esteve meio ano na Liga de Honra passando para a equipa principal. A equipa B é uma boa ideia mas não é fundamental porque, além disso, baseia-se em projectos limitativos em termos de subida de escalão e participação na Taça de Portugal. Desta forma, os jogadores emprestados encontram outras perspectivas noutros escalões e conseguem completar a sua formação técnica e física.


Em suma, foi um encontro enriquecedor apesar de sentir algumas respostas circulares a algumas questões, muitas vezes teóricas demais parecendo um curso de treinadores, e uma postura fechada dos dois treinadores quanto à definição da sua filosofia e estratégia de jogo. Talvez seja compreensível, uma vez que estávamos perante treinadores jovens, com pouca experiência e sendo um deles o actual técnico de um clube grande. Senti ainda uma diferença de postura de Paulo Bento na relação em grupo e na relação pessoal. Assim, Paulo Bento pareceu-me ser muito sério a falar com multidões, esboçando raramente um sorriso, no entanto, a nível pessoal, esboçou alguns sorrisos e ainda pousou para algumas fotos com alguns adolescentes. No final, ainda ouviu-se um adepto leonino despedir-se para Paulo Bento com a frase: “Mister, continue a acreditar, ainda faltam 30 pontos...”